Melbourne - Foi o retorno mais espetacular do ano no esporte. Depois de todos os problemas vividos no campo pessoal, a norte-americana Jennifer Capriati venceu o Aberto da Austrália e se firmou como uma das maiores do mundo.
Não bastasse o torneio australiano, Capriati ainda venceu Roland Garros, chegou às semifinais de Wimbledon e do U.S. Open e quase alcançou o 1o posto no ranking mundial, o que lhe valeu o título de campeã mundial oficial da Federação Internacional de Tênis.
``Eu sempre vou me lembrar deste ano como um dos melhores de minha vida'', disse a tenista, que surgiu para o mundo do esporte em 1990, quando se tornou, aos 14 anos, a mais jovem jogadora a figurar entre as 10 primeiras do ranking.
Naquele ano, ela também se tornou a mais jovem semifinalista em um Grand Slam ao chegar entre as quatro primeiras no Aberto da França.
Quando os ventos mais pareciam soprar a favor de Capriati, sua carreira teve uma queda vertiginosa. Em meio a uma série de incidentes em sua vida pessoal, que culminaram com prisões por furtos e porte de maconha, ela deixou o circuito profissional.
Ela tentou voltar em novembro de 1994, mas desapareceu novamente depois de disputar apenas um torneio. Em 1996, houve outra tentativa de retorno, mas o resultado foi medíocre.
Finalmente, ao fim do ano passado, a norte-americana decidiu dedicar-se totalmente ao esporte e voltar a brilhar.
Poucas pessoas, no entanto, acreditavam na tenista de 25 anos, que treinou muito duro para perder peso e chegar à Austrália em grande forma.
Na semifinal, ela passou pela compatriota Lindsay Davenport, e na final, esmagou a suíça Martina Hingis por 6/4 e 6/3, se tornando a nona atleta na história a derrotar a 1a e a 2a colocadas no ranking em uma campanha vitoriosa de Grand Slam.
``Não consigo acreditar que isso esteja acontecendo'', disse ela na época. ``Quem acreditava que eu poderia fazer tudo isso aqui, depois de tudo o que aconteceu?''