Bruxelas - A Fifa e a Comissão Européia (CE) vão dar prosseguimento nesta quarta-feira, em Bruxelas (Bélgica), às discussões sobre a revisão no sistema de transferências de jogadores de futebol. A mudança é exigida pela CE, defensora de uma adequação ao direito trabalhista europeu - prevê a livre circulação dos trabalhadores dos países integrantes da Comunidade Européia - e, implantada, deverá ter reflexos no futebol mundial, provocando uma revolução. Os dois lados têm expectativas bem diferentes sobre os resultados da reunião. O presidente da Fifa, Joseph Blatter, diz acreditar na evolução das negociações. No entanto, a comissária européia encarregada dos esportes, Viviane Rending, está pessimista sobre um acordo.
Blatter sustenta seu otimismo na recente aprovação, pela União Européia, de declaração admitindo a função social e educativa do esporte no continente e recomendando que as modalidades deixem de ser vistas apenas sob o aspecto econômico. Para ele, a decisão da UE significa um reconhecimento a autonomia das federações nacionais e também protege os times de futebol e os esforços na formação de jogadores.
Com base neste entendimento, o presidente da Fifa acredita que será mais fácil negociar um acordo para as transferências. A entidade é contra a livre circulação e propõe proibição de transferências internacionais de atletas com menos de 18 anos, indenização ao clube que perder um jogador com menos de 23 anos, respeito aos prazos de contrato e regras de transição.
De todos esses itens, a UE só parece concordar com a restrição às negociações envolvendo menores. Fundamentalmente, defende que um simples aviso prévio é suficiente para que um jogador deixe o clube que o tem sob contrato.
Por isso, Rending não acredita em solução rápida. Ela voltou a criticar a Fifa que, na sua opinião, "constitui uma organização privada que age como se fosse um cartel’’. Mario Monti, também integrante da CE, lembrou, por meio de seu porta-voz, que "não foi fixada data para uma decisão sobre este assunto’’. A Comissão Européia, por enquanto, considera as propostas da Fifa apenas "uma boa base para discussão’’.