Belo Horizonte - O Cruzeiro está praticamente definido para o jogo contra a Ponte Preta, amanhã, no Mineirão, pelo Módulo Azul da Copa João Havelange. Resta apenas uma dúvida no gol: Jefferson ou Fabiano, que teve participação ativa no treino-tático comandado pelo técnico Luiz Felipe Scolari ontem pela manhã na Toca da Raposa. A provável escalação de Fabiano se enquadra na política de revezamento do técnico.
Além disso, há outra razão para a escalação do goleiro. Ele atuou apenas uma vez, contra o Juventude, e precisa ganhar ritmo de jogo, com a proximi dade da reta final do Módulo Azul da Copa João Havelange.
Scolari terá os desfalques do lateral-direito Rodrigo, que permanece em tratamento de lesão no calcanhar direito, do lateral-esquerdo Sorín e do apoiador Viveros, que estão servindo as seleções da Argentina e da Colômbia, respectivamente, nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2002.
Scolari decidiu armar o time com o volante Cléber Monteiro improvisado na lateral direita, recuando Sérgio Manoel na esquerda, no lugar de Sorín. Sem poder contar com Viveros, optou pela entrada de Marcos Paulo no meio-campo, ao lado de Donizete Oliveira e Ricardinho. Jackson vai ganhar mais liberdade na criação de jogadas para os atacantes Oséas e Fábio Júnior, que tem maiores chances de jogar do que Geovanni.
Outra preocupação de Scolari é recuperar o ânimo dos jogadores após a eliminação na Copa Mercosul, com a derrota para o Palmeiras na quarta-feira, por 2 a 1. “Há um abatimento natural após a eliminação de uma competição. Mas temos condições de superar esta situação. É um grupo com jogadores experientes, mas, neste momento, a conversa é muito importante. Devemos enfrentar dificuldades, mas é momento também de superação", frisa o treinador.
O técnico assumiu a culpa pela eliminação na Copa Mercosul. Ele diz que cometeu um erro capital no jogo contra o Palmeiras: a preocupação com a arbitragem de Carlos Eugênio Simon. “Nos últimos anos ele tem prejudicado as equipes em que trabalho. E fiquei mais preocupado com a arbitragem do que com meu time. Preocupei-me mais com o que não gosto do que com o que gosto de fazer", ressalta o técnico.
Scolari teve uma manhã agitada e cheia de surpresas na Toca da Raposa. Primeiro, na sua chegada, ele levou um banho de ovos e farinha dos seus comandados no vestiário - trocou de roupa e comandou o treino. Depois, a supresa foi maior, emocionando o treinador “durão", com a homenagem da torcida organizada Raça Azul, pelos seus 52 anos, completados na quinta-feira. A Raça Azul contratou os serviços de uma empresa especializada em mensagens, com texto lido por um locutor, elogiando a tenacidade de Scolari. Depois foi tocado o hino do clube, com todos os jogadores assistindo e, ao final, batendo palmas.
O técnico ficou emocionado, principalmente pela festa ter ocorrido dois dias após a eliminação na Mercosul. “Isso aumenta a vontade da gente trabalhar para conquistar vitórias e títulos para esta torcida", salienta Scolari, que pediu ao assessor de imprensa do clube, Valdir Barbosa, um CD com o hino, para aprender a letra.