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Parreira entediado com o futebol brasileiro
Segunda-feira, 06 Novembro de 2000, 01h16
Atualizada: Segunda-feira, 06 Novembro de 2000, 01h16

São Paulo - Quarta-feira, véspera de feriado de Finados, na Chácara Santa Filomena, em Jarinu, os jogadores do Santos descansavam após o almoço, curtindo o som de um pagode. A música parecia incomodar Carlos Alberto Parreira, um técnico de futebol com gostos refinados, um colecionador de tapetes persas, um perfeccionista dedicado à pintura de óleo sobre tela.

Com os inseparáveis óculos escuros, um hábito que carrega desde a Copa de 70, quando escreveu seu nome no futebol, Parreira recebeu o Jornal da Tarde.

Em pouco menos de uma hora de entrevista, o campeão do mundo em 94, nos EUA, mostrou-se descontente com os rumos do futebol brasileiro. Negou, mais uma vez, o seu retorno à Seleção no futuro, mas admitiu que aceita "colaborar" com a Comissão Técnica de Leão na próxima Copa. Disse, também, que aprova a CPI do Futebol, mas "desde que tudo seja feito com seriedade".

Jornal da Tarde - Em uma de suas entrevistas, um ano depois do tetra de 94, você ressaltou a importância daquela conquista para a recuperação do futebol brasileiro. Seis anos depois, só se fala em crise, desvio de dinheiro, etc. É a decadência?

Carlos Alberto Parreira - Na época, disse que o tetra, além de tudo o que representou, foi bom para acabar com a pressão que o futebol brasileiro vinha sofrendo, estávamos há 24 anos sem conquistar uma Copa. Depois, serviu para abrir novos horizontes, atrair investidores, dar um novo impulso ao futebol. Mas a modernização não aconteceu. Surgiram os patrocinadores e os escândalos começaram. Hoje, são denúncias de falcatruas, sonegação fiscal, passaportes falsos, a ponto de chegarmos a duas CPIs, uma no Senado e outra na Câmara Federal. O que aconteceu foi um aporte muito grande de dinheiro. Muita gente vislumbrou aí a oportunidade de ganhar muito, e fácil. Onde tem dinheiro sempre tem alguém querendo faturar, nem sempre de forma limpa. Mal comparando, na política também é assim. Veja o caso do juiz Lalau (Nicolau dos Santos Neto, juiz aposentado e foragido da Justiça).

Então você aprova a CPI?

Sou favorável, mas desde que haja seriedade. Não posso acreditar que os senadores Antônio Carlos Magalhães e Álvaro Dias estejam brincando, querendo apenas holofote. De nada adianta expor profissionais do futebol lá em Brasília, execrá-los e depois não resolverem nada.

Todos esses escândalos não acabam se refletindo dentro de campo?

É evidente! Hoje está chato ver jogos no Brasil. Não temos mais espetáculos. Você encontra um amigo, ele vem dizer : `Assisti um jogaço hoje'. Você pensa que é um Palmeiras e Corinthians, um Flamengo e Vasco, e ele fala que foi o jogo Real Madri e Barcelona. Não comentamos mais sobre nossas partidas. Lá fora, na Europa, falta arte, mas em compensação o jogo flui, são 15 faltas no máximo por jogo. Aqui, a média é de 60, 80 faltas. É um exagero, os jogos são enfadonhos.

De quem é a culpa?

Não dá para apontar culpados. Os que pregam competitividade, determinação, futebol de pegada, o tal `chegar junto', têm um pouco de culpa. É bom ter determinação, mas é melhor ainda privilegiar a técnica, a fantasia como dizem os italianos sobre o nosso futebol. Aliás, nossa diferença era essa, a essência do nosso futebol era a técnica. Hoje, dá mais prazer ver os jogos da Europa.

Os jogadores têm alguma responsabilidade?

Também têm. Agora, pegaram a mania de puxar pela camisa, pelo calção, quando não conseguem derrubar o adversário na falta. Ninguém cobra nada deles, não se critica este comportamento...

O que acontece fora de campo também não está refletindo nos jogos?

É fato. A sociedade brasileira está muito violenta. Na semana passada mataram um garoto de 14 anos no Maracanã. No Rio, em menos de um mês, foram mortos 20 policiais. É droga, violência generalizada. As pessoas estão mais agressivas, querem resolver tudo com violência. Isso acaba refletindo nos estádios. As torcidas não têm mais paciência, partem para a agressão se o gol não sai logo nos dez primeiros minutos de jogo.

A imprensa esportiva também tem culpa?

Não quero acusar ninguém, mas acho que a imprensa está muito sensacionalista, acusando muito, vasculhando a vida pessoal dos profissionais. Não há muita seriedade nisso, só querem escândalos.

E os dirigentes, onde entram nesse processo de decadência do futebol brasileiro?

Vou repetir o que há 30 anos está em pauta: a falta de um calendário adequado. Temos muitas competições no Brasil e os dirigentes de clubes aceitam todas em busca de receita. Veja o caso da Mercosul, um torneio feito para a televisão, que os clubes brigam para ser convidados. Cada jogo rende US$ 200 mil, depois passa para US$ 400 mil. Temos Copa do Brasil, Rio-São Paulo, Libertadores, Regionais, Campeonato Brasileiro, Mercosul e outras menores, é muita coisa.

Não é um círculo vicioso? Os dirigentes querem receita e por isso criam cada vez mais competições?

E com esse acúmulo têm de formar elencos grandes, com até 30 jogadores, para suportar todos os campeonatos. O time fica oneroso. Não consigo entender essa lógica. Uma das soluções seria um calendário mais enxuto.

E o Santos, tem jeito?

Não vim para ser um salvador da pátria. Fiz questão de assinar contrato por dois meses. Se o time conseguir classificação para a segunda fase da Copa João Havelange, ótimo. Se não passar, não vou ver meu trabalho como um fracasso.

Terminando o contrato, você renova ou muda de clube?

Ainda não sei o que pode acontecer. Vamos esperar. Não quero é sair do Brasil, nem assumir uma seleção pensando na próxima Copa do Mundo. Quero ter mais tempo para minha família. Já são 35 anos de futebol, minha mulher e filhas estão reclamando. Hoje mesmo (dia 1º de novembro) é aniversário da minha filha e eu estou aqui em Jarinu, cercado de montanhas, jogadores, ouvindo uma música (pagode) insuportável. Ser técnico, às vezes, cansa...

Jornal da Tarde


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