Porto Alegre - Depois de saber que o técnico Celso Roth o havia criticado pelo individualismo em um lance no Gre-Nal, Ronaldinho deu sua versão sobre o fato.
Segundo Roth, o atacante poderia ter tentado o passe na área do Inter em vez de ter chutado contra o corpo do goleiro Hiran.
“Se eu tivesse visto alguém desmarcado, claro que tinha passado a bola. Mas foi tudo muito rápido, não vi ninguém!”, disse Ronaldinho.
Celso Roth tem dessas coisas. Quando a equipe sob o seu comando encontra o caminho das vitórias – e no rastro dos bons resultados algum jogador começa a se destacar no grupo – o técnico do Grêmio custa a admitir a utilidade daquele atleta para a equipe.
Foi assim em 1997, quando ele treinava o Inter, e Fabiano vivia a sua melhor fase. Para a torcida, o ponta estava no auge. Para Roth, ninguém tinha lugar garantido no time. Foi assim na temporada 1998/1999, quando treinou o Grêmio pela primeira vez.
No caminho inverso ao senso comum da torcida, ele insistia em escalar Rodrigo Mendes no segundo tempo. Sobrou até para Ronaldinho, que amargou a reserva de Zé Alcino.
Agora, Celso Roth volta a usar a mesma estratégia nesta sua segunda passagem pelo clube da Azenha. Até os muros do Olímpico sabem que Paulo Nunes, com todo o currículo de respeito que tem, não está bem. O Diabo Loiro, como um dia chegou a ser chamado, está longe daquele jogador ágil e oportunista das grandes conquistas do Grêmio.
Desde o começo desta temporada, a torcida suplicava por um atacante. A direção fez das tripas o coração e teve de cruzar o Oceano Atlântico para trazer Warley, da Udinese. Até agora, ele participou de apenas 35 minutos com a camisa do Grêmio. Fez o gol de empate contra o São Paulo e o da vitória no Gre-Nal (foto). Warley fez em pouco mais de meia hora de futebol o que Paulo Nunes levou 10 meses para fazer: dois gols. De quebra, deu ao Grêmio quatro pontos na tabela de classificação e jogou o Inter na crise.
O técnico gremista pode até estar blefando, mas já anunciou aos quatro ventos que começa o jogo desta quarta-feira contra o Fluminense, no Rio, com Warley no banco. Celso Roth tem dessas coisas.