Monza - Foi no mesmo circuito de Monza, em que domingo se disputa o 71.º GP da Itália, que no dia 9 de setembro de 1979, há 21 anos portanto, a Ferrari conquistou com Jody Scheckter seu último título do Mundial de Pilotos. Depois disso, foi uma decepção atrás da outra e, nos últimos anos, uma pergunta tornou-se freqüente: como é possível para a Ferrari dispor do maior orçamento da F-1, contar com o melhor piloto, dispor de dois circuitos particulares, 600 funcionários, e ainda assim permanecer tanto tempo na fila para ser campeã?
Os diagnósticos de donos de equipe, pilotos e dirigentes da F-1 são os mais diversos, embora haja quase unanimidade com relação à defasagem técnica da Ferrari nos anos 80 e início dos 90. "Vendo o problema de fora, me parece que a maior dificuldade deles foi atualizar-se com a tecnologia da F-1", analisa Frank Williams, proprietário da escuderia de maior sucesso na década. "Mas de três anos para cá, eles recuperaram-se totalmente e só não foram campeões por detalhes na última etapa do campeonato."
Quando Gerhard Berger retornou para a Ferrari, em 1993, o impacto foi grande. "Fiquei assustado, a Ferrari havia se transformado num time médio, parou no tempo", conta o austríaco. "Da minha primeira fase lá, de 1987 a 1989, a Ferrari andara para trás." A morte de Enzo Ferrari, em 1988, e seu distanciamento um ano antes, colaborou muito, segundo Berger, para o retrocesso. "O comendador tinha visão, não permitiria que a equipe caísse tanto."
O atual diretor-técnico da Ferrari, o inglês Ross Brawn, não gosta de falar de passado, ao menos daquele distante. Quando ele chegou na escuderia, proveniente da Benetton, algumas coisas o impressionaram. "Nós recebíamos os desenhos que John Barnard fazia na Inglaterra por fax", diz. "A estrutura do time era muito fracionada, não podia mesmo funcionar."
Uma opinião quase unânime é que a contratação de Jean Todt, em 1993, permitiu à Ferrari o início do trabalho de recuperação. Até agora, porém, a equipe ainda não conseguiu o tão sonhado título.