São Paulo - Gustavo Kuerten quer esquecer a disputa entre patrocinadores que quase o impediu de participar dos Jogos Olímpicos. Ontem, sua atenção estava na preparação para a viagem, à noite, para Sydney. Será a primeira vez que o tenista brasileiro disputará uma Olimpíada.
Guga deverá ter tratamento de estrela em Sydney. O brasileiro deve ser o cabeça-de-chave número 1 do torneio. Mas participar de uma Olimpíada parece não ter tanto valor para muitos tenistas. Os norte-americanos Andre Agassi e Pete Sampras, por exemplo, não encontraram motivos para ir até a Austrália.
Outras ausências devem ser o holandês Richard Krajicek, o francês Cedric Pioline e talvez o russo Yevgeny Kafelnikov. Entre as mulheres, não irão Martina Hingis, da Suíça, as francesas Mary Pierce e Nathalie Tauziat e a russa Anna Kournikova.
O alemão Nicolas Kiefer, porém, pressionou a Federação de seu país para ser incluído na delegação. Lisa Raymond, dos Estados Unidos, conseguiu sua admissão depois de entrar na Justiça.
Na quinta-feira, logo depois da entrevista coletiva para confirmar sua ida aos Jogos, Guga aproveitou o dia com a família e os amigos para comemorar a viagem e o seu aniversário, já que estará longe de casa, domingo, quando completar 24 anos.
Mas a comemoração terminou cedo, porque ontem ele tinha compromisso marcado com o técnico Larri Passos: treino e preparação física. Guga voltou a bater bola depois de dois dias longe da raquete e recebeu elogios de Larri. "Ele está jogando muito bem, no melhor da sua forma e não errou uma bola no treinamento."
Líder da Corrida dos Campeões e segundo colocado no ranking mundial, Guga está ansioso para chegar à Austrália e sentir o ambiente dos Jogos Olímpicos. Ele deve ficar ao lado dos atletas do tênis de mesa. "Não vejo a hora de chegar à Vila Olímpica e ver os meus companheiros." Guga já esteve em Home Bush, local dos jogos de tênis, no início do ano, quando disputou o ATP Tour de Sydney.
Piso rápido As partidas serão em piso rápido, mas nada que assuste o brasileiro. Ele perdeu na estréia no Aberto dos Estados Unidos, mas há pouco menos de três semanas conquistou o seu primeiro título neste tipo de superfície, em Indianápolis. "Desde que Roland Garros terminou, em junho, só venho jogando em piso rápido. Estou adaptado e jogando bem."
Guga espera agora por um bom sorteio na chave, que é eliminatória. "O torneio, se a gente for analisar, será como outro torneio do circuito profissional, bem forte, com os melhores jogadores do mundo. Vou torcer para um bom sorteio e aos poucos ir pegando confiança e crescendo. Estou acostumado a jogar, preparadíssimo e muito empolgado."
Agassi, campeão em Atlanta/96, de 30 anos, alegou razões pessoais não viajar depois de sai na segunda rodada do Aberto dos Estados Unidos, onde defendia o título. Sampras, que hoje disputará as semifinais do torneio norte-americano com Lleyton Hewitt, disse bem antes que cederia seu lugar a outro compatriota. Agassi é o único tenista em atividade que venceu todos os torneios do Grand Slam (Austrália, Roland Garros, Wimbledon e Aberto dos Estados Unidos) e ainda ganhou uma medalha olímpica. Durante o Aberto norte-americano, Agassi revelou que sua mãe, Elizabeth, e sua irmã menor, Tammee, sofrem com câncer no seio.
O Estado de S.Paulo