Monza - É quase um consenso na Fórmula 1: se Mika Hakkinen conquistar o tricampeonato este ano, o título estará em "excelentes mãos". Até porque seu grande adversário é ninguém menos que Michael Schumacher, considerado o melhor piloto da atualidade. O finlandês, que dia 28 irá completar 32 anos, transformou-se no personagem principal da temporada, ao sair do total descrédito depois do GP da França para a condição de favorito ao título.
Hoje, o piloto da McLaren, tenta em Monza, na classificação para o GP da Itália, a 27ª pole position da sua carreira.
"Ano passado vivi, nesta pista, um dos meus melhores e um dos meus piores momentos na F-1", disse ontem Hakkinen. "Fiz a volta da minha vida na sessão que definiu o grid e na prova cometi um erro infantil."
O finlandês largou na pole, com o tempo de 1min22s432, à média de 251,9 km/h. Na 29ª volta, porém, abandonou por errar na Primeira Variante, quando era líder. O abandono quase lhe custa o título.
Mas a realidade de Hakkinen hoje é outra. Nas cinco últimas etapas do Mundial, ele venceu três e foi segundo nas outras duas. "O carro está mais adaptado ao meu estilo agressivo", contou. "Gosto de frear o mais tarde possível e girar o volante com alguma violência."
Mistura - Antes da prova na Áustria ele passou dez dias de férias, o que, segundo garantiu, auxiliaram muito recuperar sua concentração. "Dizem que sou frio", comentou, rindo. "Eu sou finlandês e defino nosso povo como alguém no meio do caminho entre os ingleses e os italiano'', prosseguiu. "As pessoas não sabem que pareço quieto como os ingleses, mas sou quente por dentro como os italianos."
Como exemplo dessa latinidade, o bicampeão citou o presente oferecido à sua esposa, Erja, de 39 anos, grávida do primeiro filho do casal. Hakkinen deu a ela uma Ferrari 360 Modena com câmbio igual ao da F-1. O motorista troca as marchas puxando com os dedos duas pequenas alavancas localizadas atrás do volante. "Pena que Erja não ficou mais de uma semana com o carro, por não se adaptar ao câmbio."
Hakkinen conta que o revendedor ligou para sua casa e disse a Erja que a ensinaria a usar o câmbio da F-1. "Nesse instante, eu a ouvi dizer não ser necessário porque tinha uma pessoa capaz de lhe explicar o uso correto do sistema."
O filho do casal nasce no fim do ano. Mas o sexo será conhecido apenas na hora do parto. "Erja quer saber, mas eu não", justificou o piloto.
Conservador - Hakkinen se define como um "conservador". Ele só possui um Lear Jet, adquirido este ano, em razão da sua atividade impor. Mas mora num apartamento alugado em Mônaco e adquiriu uma lancha, por meio de leasing.
"Só fiz uma exigência, quando mudei: a de ter sauna em casa'', revelou Hakkinen.
O finlandês jura que só pensa no campeonato quando lhe perguntam. Ele soma 74 pontos diante de 68 de Schumacher e restam quatro etapas para o encerramento do Mundial.
"Honestamente, não é um assunto que toma o meu tempo, talvez na última corrida." Se for campeão, repetirá um feito realizado apenas por Juan Manuel Fangio, que venceu na seqüência os mundiais de 1954 a 1957.
Para de correr não está nos planos de Hakkinen. "Tenho contrato com a McLaren também para 2001, mas, claro, tudo pode acontecer'', disse.