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Henrique Guimarães quer repetir medalha
Sabado, 09 Setembro de 2000, 02h09

Canberra - De Aurélio Miguel, um dos melhores amigos, vem o e-mail, via Internet, e as palavras de incentivo e de carinho. A preparação física foi adequada e a temporada positiva. Os caminhos até a medalha são conhecidos pelo meio-leve Henrique Guimarães, que ganhou o bronze em Atlanta, em 1996. A mulher Andréia e a mãe Luzia vieram à Austrália dar parabéns ao judoca, que faz 28 anos hoje. "Meu presente atrasado bem que poderia ser uma medalha." Em uma delegação renovada, como a do judô, Henrique é o único da equipe masculina que já enfrentou a pressão de competir em uma olimpíada (Edinanci também disputa pela segunda vez, entre as mulheres).

"É verdade que pelo menos cinco dos judocas mais experientes foram surpreendidos na seletiva e não em Sydney." Henrique refere-se à Aurélio Miguel, Fúlvio Myiata, Sebastian Pereira e Flávio Canto, que não passaram pelas seletivas, e Edelmar Zanol, o Branco, que sofreu uma contusão no último momento, e foi cortado, entrando em seu lugar Carlos Honorato. Dos cinco, Aurélio, Sebastian, Flávio e Branco estiveram em Atlanta, ao lado de Henrique, que agora tem chance de buscar uma segunda medalha olímpica.

"Só fiquei eu daquela turma; estou mais experiente, tranqüilo, conseguindo controlar a ansiedade, porque sei que não é impossível conquistar uma medalha olímpica", disse. Apesar de mais experiente, Henrique não se sente um líder - disse que tem uma personalidade introvertida. Mas não se furta em dar conselhos ou a falar pelo grupo quando seus companheiros solicitam.

"Às vezes falo pelo grupo, mas gosto que cada um deles também se manifeste." Apesar da posição, não é raro ver Henrique falando para o grupo, antes dos treinos. Depois de um ano muito ruim em 1999 - quando levou oito meses para recuperar-se de uma cirurgia no joelho, a mesma que Aurélio Miguel fez este ano, Henrique disse que está "em um astral muito propício", pelo ano excelente. Competiu três provas no Circuito Europeu - foi 7º na Alemanha, no início da temporada; 5º na Hungria (quando perdeu a semifinal por não ser avisado pelos dirigentes do esporte que o combate havia mudado de horário); e campeão na Itália, em junho.

Na categoria meio-leve, Henrique, que começou a lutar na Associação de Judô de Santana, em São Paulo, aos 5 anos, porque era uma criança muito agitada, considera que tem entre oito e dez judocas em condições de ganhar medalha e aponta o francês Benbudau Larbi, atual campeão mundial, como um dos principais favoritos. Não lutou contra o francês no ano passado ou este ano, mas venceu o adversário em 1995, por duas vezes, em 1996 e em 1998. "Ele disse para uma revista francesa que não queria fazer a primeira luta comigo", afirmou Henrique, um especialista nas écnicas de pernas (seus golpes uchimata e ochigari são armas importantes).

A chegada do técnico Sérgio Pessoa, na terça-feira - "o meu patrocinador, a Bovespa, está pagando a viagem dele", frisa -, dá ainda mais confiança. Os atletas do judô vão deixar Camberra rumo a Sydney na quinta-feira. Henrique vai lutar no dia 17, em um programa de cinco ou seis combates, para cada um dos judocas, até as medalhas.

O Estado de S.Paulo


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