Sydney - A delegação de futebol do Brasil na Austrália é a maior entre todos os países que vão disputar uma medalha na modalidade. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) reivindicou o credenciamento de 48 pessoas nos Jogos Olímpicos, incluindo alguns convidados do presidente da entidade, Ricardo Teixeira, dois roupeiros, dois massagistas e um cozinheiro. Apenas 18 atletas retiraram o documento em Brisbane.Todos têm hospedagem garantida no luxuoso Royal Pines, em Gold Coast, até o dia 23, data de uma partida pelas quartas-de-final do torneio.
O custo de uma diária no hotel varia de US$ 170 a US$ 300. Mas os preços cobrados da CBF sofreram pequena redução, não revelada nem pela gerência do hotel nem pela comissão técnica da seleção. Nos dias de treino em Gold Coast chega a ser surpreendente o número de integrantes da delegação sentados em cadeiras à beira do campo.
Os que dispõem de uniforme da CBF, um agasalho azul, em geral, ganham carta branca para circular por todos os lados do Gold Coast Stadium, onde são realizados os treinos, e pelo hotel. Entre eles, destaca-se um croata de 17 anos, Daniel Gecic, "contratado" para servir de gandula à seleção.
Vila Olímpica - Toda essa mordomia foi desfeita pelo menos por três dias, desde ontem, quando a equipe seguiu para Sydney. O Comitê Olímpico Internacional (COI) só permitiu o ingresso de 25 componentes do futebol brasileiro na Vila Olímpica: os 18 atletas e mais o técnico Wanderley Luxemburgo, seus auxiliares Marcos Moura e Candinho, o médico José LuísRunco, o preparador físico Antônio Mello, um roupeiro e um massagista.
O restante teve de ficar em acomodações distantes da vila. Já RicardoTeixeira preferiu o conforto de Gold Coast e, com chegada prevista para ontem à noite, não viajaria para Sydney - o que só vai fazer se a seleção se classificar para a final da competição.
No complexo olímpico, a equipe de futebol teve de abrir mão de algumas regalias. O chefe da missão brasileira na Austrália, Marcos Vinícius Freire, alertara há dois dias sobre o fato de que cada jogador teria de lavar a própria roupa, como fazem os demais atletas. Eles também experimentaram ontem o gosto da comida em bandejão, como contou Luxemburgo. Todos entraram em fila para fazer seus pratos, alguns comeram pizza, outros, frango ou churrasquinho.
Apesar das evidências que mostram exatamente o contrário, o treinador disse que o futebol não pode ter tratamento diferenciado dos demais esportes.
"Ninguém aqui é extra-terrestre, não queremos ser estranhos no ninho." Para o lateral Athirson, do Flamengo, quase todos do time vieram de origem humilde e estão acostumados às dificuldades. "Não me incomodo de lavar minha roupa." O meia Geovanni, do Cruzeiro, também mostrou a disposição de qualquer sacrifício para ganhar a medalha de ouro. "Se tiver de dormir em cama dura, a gente não recua."
Para ir a Sydney assistir aos Jogos, um simples torcedor do Brasil teria de adquirir pacotes turísticos da única agência oficial do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), a Tamoyo Internacional. Isso porque os comitês de cada país participante possuem uma agência exclusiva. O pacote mais econômico custava US$ 5.811 (cerca de R$ 10.500,00) e o mais caro, US$ 17.425 (cerca de R$ 32 mil). Ambos estão esgotados.
Muitos brasileiros, porém, principalmente parentes de atletas olímpicos, conseguiram driblar os altos preços cobrados alugando apartamentos ou casas na Austrália. Também compraram passagens aéreas com preços e escalas diferenciados.
O pacote mais caro da Tamoyo, no valor de US$ 17.425, foi cotado para 20 noites em quarto individual. O hotel é o Sheraton Sydney Airport Hotel, um quatro-estrelas superior, com café da manhã no estilo bufê. Todos os apartamentos do estabelecimento, localizado a poucos minutos do Aeroporto Internacional de Sydney, têm vidros à prova de som, frigobar, televisão, ar condicionado, piscina, fitness center e serviço de ônibus. Nada comparado ao luxuoso Royal Pines, em Gold Coast, local em que os jogadores da seleção brasileira de futebol estão hospedados.
O pacote inclui, também, passagem áerea na classe econômica com escala em Buenos Aires, na Argentina, seguro de viagem e 16 ingressos à escolha do cliente, de acordo com a disponibilidade da agência. As entradas para as cerimônias de abertura e encerramento só poderiam ser adquiridas à parte. A diferença deste programa para os outros é apenas em relação ao número de noites na Austrália e, conseqüentemente, à quantidade de ingressos.