Vendas de televisores devem crescer de 15% a 20% por conta da Copa, prevê consultoria NielsenIQ
Incertezas no cenário internacional, como a alta do petróleo e risco de elevação do dólar, podem encarecer os produtos e tirar impulso de compras; na Copa anterior, a venda de TVs aumentou 35,4%
Copa o Mundo sempre foi alavanca para vender mais televisores, e neste ano não será diferente. Porém, é esperado um ritmo de crescimento mais moderado em relação à Copa do Mundo do Catar, de 2022.
Estudo da consultoria NielsenIQ projeta crescimento de 15% a 20% nas quantidades de televisores vendidos nos três meses antes ao evento, comparado à Copa de 2022. O avanço é muito menor em comparação ao da edição anterior, quando as vendas de televisores em volume aumentaram 35,4% ante a Copa do Mundo da Rússia, de 2018.
Mateus Bando, líder de T&D do Brasil da NielsenIQ, atribui a menor taxa de crescimento nas vendas de TVs neste ano às incertezas que rondam o mercado.
Ele aponta os conflitos mundiais, que já provocaram a disparada do preço do petróleo acima de US$ 100 o barril, e as eleições no País como fatores que podem tirar o impulso das vendas em razão do encarecimento dos televisores.
É que boa parte dos componentes das TVs é importada e sujeita à variação cambial. Também várias peças dos aparelhos, como gabinetes, são feitas de plástico, e têm o petróleo como a matéria-prima básica da cadeia de produção.
"Apesar do recuo esperado para a taxa de crescimento de TVs em relação à última Copa, a perspectiva é muito boa, porque o mercado tem andado de lado", diz o Bando.
Além disso, em anos de Copa do Mundo, normalmente são vendidos televisores mais sofisticados e mais caros. Na Copa de 2022, por exemplo, a venda de televisores de alta definição resolução 4K UHD (Ultra High Definition) respondeu por 72% dos negócios nos três meses que antecederam o evento. No ano inteiro de 2022, no entanto, essa fatia tinha sido de 62%, aponta a consultoria.
Também nos três meses que antecederam a Copa de 2022, 45% das vendas foram de aparelhos com telas grandes, acima de 50 polegadas. Já no ano de 2022 fechado, a participação das TVs de tela grande no total tinha sido de 37%.
Linha branca ultrapassa TI
O varejo de produtos eletroeletrônicos movimentou R$ 200 bilhões no ano passado, com crescimento de 7,1% em relação ao ano anterior, segundo a consultoria. É uma taxa bem menor em relação à registrada em 2024, quando as vendas tinham avançado 13,4%.
Segundo Bando, os preços dos eletrônicos subiram em razão da alta da moeda americana e isso tirou o impulso das compras. Também a taxa básica de juros no maior nível dos últimos 20 anos, em 15% ao ano, encareceu o crédito. E normalmente esse itens são comprados a prazo.
Um dado que chama atenção da pesquisa é que pela primeira vez a venda de produtos da linha branca, como geladeiras, fogões e lavadoras, respondeu pela maior fatia das vendas em faturamento (31,7%) em 2025 e superou itens de telecomunicações (31,4%), que desde 2022 eram líderes de venda em participação.
O especialista observa que a presença de eletrodomésticos da linha branca e de celulares na casa dos brasileiros é muito grande. Mas, no caso da linha branca, muitos aparelhos já passaram da hora de serem renovados.
O mais recente ciclo de compras desses itens ocorreu em 2010, quando houve isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) por parte do governo. E a vida útil de uma geladeira ou um fogão é por volta de dez a 15 anos. Foi exatamente esse movimento de renovação dos eletrodomésticos que deu impulso às vendas de linha branca no ano passado.
Outro ponto de destaque do mercado é que as vendas do grupo de Tecnologia da Informação (TI), que reúne computadores e tablets, por exemplo, ampliaram a sua participação no total de eletroeletrônicos comercializados.
Esse foi o único segmento que teve crescimento da sua fatia no total dos eletroeletrônicos. Produtos de TI responderam por 12,5% das vendas de R$ 200 bilhões no ano passado ante 11,1% em 2024, um avanço de 1,4 ponto porcentual.
"TI está naquele momento de evolução da categoria", diz o especialista. A indústria está embarcando mais tecnologia nesses produtos e trazendo mais rapidamente para o Brasil esses itens.
Perspectiva para 2026
A perspectiva para este ano de 2026 é que as vendas de produtos de Telecom e de linha branca continuem crescendo por causa da demanda reprimida, enquanto itens de TI devem ser afetados pela alta de preços.
Bando diz que cada vez mais produtos de TI estão sendo encarecidos pela tecnologia da inteligência artificial embarcada neles. Já a linha de áudio e vídeo deve ganhar impulso por causa das vendas de televisores em ano de Copa.
Entre os dias 22 e 25 de junho deve ocorrer no Distrito Anhembi, em São Paulo, a 19ª edição da Eletrolar Show All Connected. A tradicional feira do setor eletroeletrônico neste ano irá integrar todas as tecnologias, inclusive terá a presença de veículos elétricos. A intenção, segundo Carlos Clur, presidente do Grupo Eletrolar, é nesse período transformar São Paulo no principal polo latino-americano de exposição de inovações no segmento de bens duráveis.