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Taxas dos DIs fecham com variações modestas em meio a cautela antes do 2º turno

19 out 2026 - 17h10
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Resumo
As taxas dos DIs fecharam a segunda-feira perto da estabilidade, refletindo a cautela do mercado antes do segundo turno presidencial. Os investidores repercutiram novas pesquisas eleitorais que apontam disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, além do recente debate televisivo. O alívio inicial nas taxas perdeu força ao longo do dia, acompanhando a alta dos rendimentos dos Treasuries norte-americanos e a incerteza fiscal, mantendo as oscilações moderadas na curva de juros.

As taxas dos DIs de curto prazo fecharam a segunda-feira com variações ‌modestas ante os ajustes anteriores, traduzindo a cautela do mercado na semana que antecede o segundo turno da eleição presidencial no Brasil, após novas pesquisas confirmarem uma disputa acirrada entre os candidatos.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries se firmaram em alta ainda pela manhã, com os investidores direcionando a demanda por ativos de maior risco, como as ações.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,87%, com baixa de 5 pontos-base ante o ajuste de 12,92% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a ⁠taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,890%, praticamente estável ante 12,893%.

No início do dia, as taxas sustentaram baixas ao longo da curva, ‌repercutindo novas pesquisas eleitorais e o debate promovido pela Band, na noite de domingo, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

"O que hoje entra muito na conta do investidor, por óbvio, além da agenda de indicadores e do ambiente geopolítico, são ‌as eleições, nas quais a gente teve aí pesquisas hoje mostrando vantagem do Flávio, ‌mas uma vantagem marginalmente menor do que se tinha há algum tempo", pontuou Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.

Nova pesquisa ⁠BTG/Nexus mostrou redução de 2,8 pontos percentuais para 0,6 ponto percentual da diferença entre Flávio e Lula no segundo turno, que será disputado no próximo domingo. Flávio tem 46,5% das intenções de voto e Lula soma 45,9%. O percentual de eleitores que não pretendem votar ou que votarão em branco ou nulo está em 4,7%, enquanto 2,9% não sabem.

Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os candidatos estão em empate técnico, conforme a pesquisa.

Já o novo levantamento da Atlas revelou uma queda de 5,4 para 2,2 pontos percentuais da vantagem de Flávio, com ‌o senador com 49,8% das intenções de voto e o presidente com 47,6%. O percentual de indecisos ou que pretendem votar em branco ou nulo ‌é de 2,6%.

Como neste caso a margem ⁠de erro é de 1 ponto percentual, ⁠Flávio está na liderança para além da margem de erro.

A pesquisa PoderData/Aya, também divulgada nesta segunda-feira, mostrou Flávio com 52% e Lula com 48%, com margem ⁠de erro de 1,8 ponto percentual.

Na esteira das pesquisas, a taxa do DI para ‌janeiro de 2035 marcou a mínima intradia de ‌12,750% (-14 pontos-base) às 9h45, ainda na primeira hora da sessão, em um momento em que os rendimentos dos Treasuries se mostravam acomodados. Além das novas pesquisas, os investidores repercutiam o primeiro debate entre os candidatos, promovido pela Band.

Flávio responsabilizou Lula pelo endividamento das famílias e acusou o governo de gastar demais. Lula, por sua vez, perguntou se Flávio adotará o modelo econômico do presidente da Argentina, ⁠Javier Milei, e destacou o aumento da pobreza no país vizinho. A maior parte do debate foi marcada por acusações de lado a lado.

No mercado, boa parte dos agentes ainda considera que com Flávio no Planalto cresceriam as chances de um maior controle das contas públicas -- mesmo que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado até o momento propostas concretas de ajuste.

No debate de domingo, Flávio prometeu que, se eleito, congelará as dívidas de pessoas físicas por seis meses e de pessoas ‌jurídicas por um ano. Em resposta, Lula lembrou que na nova fase do programa Desenrola o governo irá comprar dívidas que as pessoas têm nos bancos com descontos da ordem de 90%.

"Eu não diria que o mercado deveria estar animado. Talvez 'aliviado' seja a palavra mais correta ⁠no sentido de que o debate não foi um completo desastre para o Flávio de forma a comprometer as chances dele, que são boas, tampouco foi um desastre para o Lula, que comprometesse a candidatura", afirmou Perri.

Ainda durante a manhã as taxas desaceleraram as baixas e se reaproximaram da estabilidade, com investidores demonstrando cautela nos negócios. Mesmo que Flávio -- o favorito da Faria Lima -- siga numericamente à frente nas pesquisas, a disputa permanece acirrada, com chances de vitória para ambos os lados.

A recuperação das taxas no Brasil ocorreu em sintonia com o exterior, onde os rendimentos dos Treasuries subiram em uma sessão de maior apetite por ativos de risco.

No fim da sessão regular, isso se refletiu em baixas leves entre alguns DIs curtos e na relativa estabilidade entre os contratos de longo prazo -- mais suscetíveis tanto à política fiscal dos próximos anos quanto ao movimento dos Treasuries.

Pela manhã, o boletim Focus divulgado pelo Banco Central mostrou que os economistas do mercado mantiveram a projeção de inflação para 2026 em 5,22% e elevaram de 4,30% para 4,32% a expectativa para 2027. Já a taxa básica Selic esperada para o fim deste ano seguiu em 13,25% e para o encerramento do próximo ano em 12,00%. Atualmente a Selic está em 13,75% ao ano.

Às 16h43, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 5 pontos-base, a 5,148%.

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