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Especialista analisa riscos de recessão global em 2014

15 jan 2014 07h15
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As avaliações do economista americano Eugene Fama, um dos três ganhadores do Prêmio Nobel de Economia de 2013, para a economia global neste ano não são positivas. Fama vê riscos de recessão mundial em 2014, principalmente em função de governos endividados nos Estados Unidos e na Europa e as altas taxas de desemprego norte-americanas, que chegaram a 7% no ano passado. Segundo ele, o que mais preocupa é o fato de as pessoas desistirem de continuar a procurar emprego. 

Para o sócio-diretor da Easynvest Título Corretora, Márcio Cardoso, o desemprego tem relação direta com um risco de recessão global, pois diminui o número de pessoas com capacidade financeira, trabalhando, produzindo e consumindo e, assim, a riqueza gerada. “Quem está empregado, ganha dinheiro, faz compras no mercado, abastece o carro, viaja. Ou seja, faz com que a economia rode. Então, quando isso vai tomando corpo, mais pessoas vão se sentindo seguras e fica maior a tendência em gastar. O importante é que a economia venha a crescer em uma velocidade que possa trazer benefícios para o mundo como um todo”, explica.

Avaliação depende do contexto
De acordo com Cardoso, a afirmação de Eugene Fama, ou de qualquer economista e pesquisador com acesso a grandes volumes de informação, é uma avaliação que depende dos dados que estão sendo utilizados para dar respaldo a esta afirmação: “o economista tem como função colocar a opinião dele. Fama fez uma declaração baseada em uma compilação de dados que dão a ele a visão de que existe perspectiva de recessão em médio prazo. Agora, isso é verdade? Mentira? Não sei”. 

Mas Cardoso destaca que a opinião de Fama não pode ser descartada, principalmente por sua relevância na área: “para ele, a velocidade com que a recuperação dos Estados Unidos ocorre é muito lenta. Pode ser que ele esteja enxergando algo mais à frente, como quando ouvimos dizer, em 2006, que havia uma bolha na economia dos Estados Unidos”. A velocidade com que as crises globais acontecem, segundo Cardoso, depende também de expectativas negativas em relação ao comportamento da economia: “ao criar expectativas negativas, as pessoas consomem menos. No Brasil, por exemplo, a expectativa de que o governo não tome as medidas certas para estabilizar a inflação, próximo à meta, cria um desinteresse por parte dos investidores no mercado local e por isso a taxa de juros é mais alta”, avalia.

No caso do Brasil ainda há agravantes como a política tributária, que dificulta a circulação de dinheiro nas negociações comerciais, e a necessidade de ações paliativas do Banco Central para amenizar os efeitos da redução de estímulos à economia do governo dos Estados Unidos. Na opinião dos especialistas, todas estas ações geram insegurança e expõem a fragilidade da economia mundial.

 
Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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