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Apesar de esforços chineses, padrão-dólar é o mais confiável

24 abr 2013
07h02
atualizado às 07h02
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A grave crise econômica que atingiu os Estados Unidos em 2008 levantou questionamentos sobre a necessidade de uma nova ordem monetária internacional. Países como China, França e até mesmo o Brasil chegaram a cogitar a substituição da moeda americana como padrão. Porém, mesmo com a instabilidade dos mercados cambiais, o padrão-dólar deve prevalecer como o mais confiável para as transações comerciais e financeiras no mundo.

A retomada da paridade com o ouro, adotada no mundo inteiro até a década de 70,  foi outra hipótese que chegou a ser levantada para substituir o atual sistema
A retomada da paridade com o ouro, adotada no mundo inteiro até a década de 70, foi outra hipótese que chegou a ser levantada para substituir o atual sistema
Foto: Shutterstock

Segundo o economista da Fundação Instituto de Administração (FIA) Carlos Honorato, há um esforço mundial, especialmente da China, de tirar o dólar como reserva de valor mundial e adotar outra medida. Por isso os esforços do país asiático em lançar acordos econômicos com o real e outras moedas, para desfortalecer a americana. “O dólar é o que as pessoas acreditam. Para ser padrão monetário, tem de ter quantidade, lastro - garantia implícita de um ativo - e credibilidade. Hoje, entre acreditar no dólar ou na China, aposto no dólar”, diz.

A retomada da paridade com o ouro, adotada no mundo inteiro até a década de 1970, foi outra hipótese que chegou a ser levantada para substituir o atual sistema. No padrão-ouro, os países emitiam sua moeda em quantidade equivalente ao ouro disponível. Apesar de ser um regime mais confiável, na teoria, é impossível colocar em prática, segundo o economista da FIA. “A volta deste sistema é praticamente impossível, porque hoje tem muito mais dinheiro jogado no mundo do que quantidade de ouro para fazer essa troca”, explica.

Além disso, seria impossível reorganizar as reservas de ouro mundiais que ficaram espalhadas após a Segunda Guerra Mundial. “Seria extremamente complicado, principalmente na hora de avaliar a quantidade de ouro disponível e tornar isso factível em relação à quantidade de moeda que se tem no mundo”, aponta o economista.

O padrão-ouro visava uma situação de equilíbrio na economia internacional de modo que cada país mantivesse uma base monetária consistente com a paridade cambial, em uma balança comercial equilibrada. Para Honorato, parte dos problemas que temos hoje no âmbito econômico são derivados do abandono deste regime. Contudo, uma provável retomada não resolveria a crise. “Se voltássemos a só emitir moeda pela quantidade de ouro, as economias iriam parar de funcionar”, alerta.

A volatilidade dos mercados cambiais decorrente da fragilidade do dólar perturba os negócios e embaralha as regras do jogo entre exportadores e importadores, causando atritos entre os preços relativos dos diferentes ramos e setores da economia, bem como entre as nações. “Como os preços explodiram, não há um controle de valor. A economia mundial ficou inflacionada. Os preços todos estão inflacionados. Então esse retorno ao padrão-ouro é muito bonito na teoria, mas impraticável”, completa.

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