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Neoenergia direciona R$50 bi para distribuição de energia e avaliará oportunidades de crescimento

8 mai 2026 - 11h17
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A Neoenergia, braço do grupo espanhol Iberdrola ‌no Brasil, vai investir R$50 bilhões em suas cinco distribuidoras de energia até 2030 e olhará oportunidades de crescimento no negócio, visto como crucial para o processo de transição energética, disse o CEO, Eduardo Capelastegui, à Reuters.

O anúncio do plano bilionário de investimentos, que eleva os aportes em mais de 80% em relação ao programa plurianual anterior, ocorre junto da assinatura da renovação das ⁠concessões de três distribuidoras da Neoenergia por mais 30 anos, em cerimônia do governo federal programada ‌para a tarde desta sexta-feira em Brasília.

A celebração dos aditivos contratuais com a União era o que faltava para dar previsibilidade à empresa e assegurar o compromisso de novos investimentos bilionários no ‌Brasil, destacou Capelastegui.

"Isso nos permite anunciar o que será um ‌volume de investimento recorde para a distribuição de energia, de R$50 bilhões em cinco ⁠anos, um incremento de 82% ante o que foi investido nos cinco anos anteriores", disse.

O montante, em parte contemplado no plano de negócios da Iberdrola 2025-2028, tem como foco ampliar a infraestrutura elétrica, para alcançar mais clientes, e modernizar as redes, tornando-as mais resilientes em um contexto de eventos climáticos extremos mais frequentes.

Metade da cifra total, ou R$25 bilhões, será direcionada para a Coelba, concessionária ‌da Bahia. A Celpe (PE) ficará com R$10 bilhões; a Elektro (MS/SP), com R$8 bilhões; e a Cosern (RN), com ‌R$4 bilhões.

Embora não participe da ⁠atual renovação das concessões, ⁠a quinta distribuidora da Neoenergia, que atende Brasília, receberá os R$3 bilhões restantes do plano anunciado nesta sexta-feira.

Capelastegui ⁠ressaltou a importância do negócio de redes de energia ‌tanto para a companhia, quanto para ‌o país, já que são essas infraestruturas que permitem avanços dos processos de descarbonização e eletrificação da economia.

"Não adianta ter um parque solar ou eólico, se não tem redes que os conectem... As redes são a espinha dorsal da eletrificação, o país precisa de investimento ⁠para conectar toda a indústria, data centers, hidrogênio verde, carro elétrico. A eletrificação é imparável, vai acontecer."

Ele afirmou ainda que a Neoenergia também está contratando mais eletricistas, visando aumentar a equipe própria para atender seus 17 milhões de clientes em todo o país. Está prevista a contratação de 665 eletricistas entre 2026 e 2027, para ampliar ‌a base atual de 7 mil eletricistas próprios.

APOSTA DE CRESCIMENTO

O CEO afirmou ainda que o Brasil é a "aposta" da Iberdrola nos mercados emergentes, tendo uma participação relevante no portfólio do maior ⁠grupo de utility da Europa.

"Antes (a Iberdrola) estava no México e Brasil, vendeu México e se concentrou no Brasil... Isso é muito significativo, o Brasil oferece seguridade jurídica e regulatória."

A companhia avaliará eventuais oportunidades de crescimento na distribuição de energia por meio de aquisições, caso surjam oportunidades no mercado.

"Se algum ativo vier à venda, a gente vai avaliar economicamente e tomar uma decisão oportuna... Foco nos R$50 bilhões e, se aparecerem oportunidades, olharemos", afirmou Capelastegui.

A Iberdrola protagonizou uma forte disputa em 2018 com a italiana Enel pela compra da Eletropaulo, hoje Enel São Paulo, distribuidora que enfrenta um processo que pode culminar na perda da concessão, o que tem levado a especulações sobre uma eventual alienação do ativo pela Enel.

O executivo não comentou sobre eventual interesse na Enel.

Especialistas e analistas do setor também avaliam que algumas elétricas poderão colocar distribuidoras à venda após a assinatura definitiva das renovações contratuais.

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