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7 decisões financeiras que as pessoas costumam adiar e depois se arrependem

Especialistas apontam que proteção, saúde e formação de patrimônio deixaram de ser pauta de urgência e passaram a exigir planejamento

3 ago 2026 - 15h46
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Viajar, trocar de carro ou reformar a casa entram com facilidade no orçamento das famílias. Já proteção financeira, assistência à saúde e construção de patrimônio costumam ficar para "quando der". O problema é que doenças, acidentes e perdas materiais não avisam e, quando chegam, encontram quem não se planejou com menos alternativas e mais custos.

Planejar a proteção financeira antes dos problemas ajuda a evitar custos maiores e decisões tomadas sob pressão
Planejar a proteção financeira antes dos problemas ajuda a evitar custos maiores e decisões tomadas sob pressão
Foto: Prostock-studio | Shutterstock / Portal EdiCase

Os números sugerem que o país amadurece nesse debate, ainda que de forma desigual. O sistema de consórcios atingiu 13,36 milhões de participantes ativos em junho de 2026, novo recorde histórico, e encerrou o primeiro semestre de 2026 com crescimento de 14,6% nas vendas de cotas e R$ 47,32 bilhões em créditos disponibilizados apenas para o mercado automotivo, 9,6% a mais do que no mesmo período de 2025, conforme informações da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcio (ABAC).

A saúde suplementar soma cerca de 52,3 milhões de beneficiários em planos de assistência médica e 34,8 milhões em planos exclusivamente odontológicos. O setor de seguros, que representa cerca de 6,4% do Produto Interno Bruto (PIB), arrecadou R$ 376,7 bilhões apenas no primeiro semestre de 2025 e deve crescer em torno de 8% em 2026, segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). O interesse por proteção e planejamento existe. O que ainda falta, avaliam os especialistas, é antecipar essas decisões.

Abaixo, confira 7 decisões financeiras que as pessoas costumam adiar e depois se arrependem!

1. Esperar o imprevisto para pensar em proteção

Acidentes, doenças ou danos ao patrimônio costumam fazer muitas pessoas reconhecerem a necessidade de uma cobertura apenas depois do prejuízo. Segundo Leonardo Duarte, diretor da Sevisa Corretora de Seguros, a análise dos riscos deve fazer parte da organização financeira, e não ser uma reação ao problema.

"Muita gente só percebe a importância da proteção quando enfrenta um imprevisto. O problema é que, nesse momento, o prejuízo já aconteceu. Planejamento financeiro também passa por antecipar riscos e escolher coberturas compatíveis com a realidade de cada família ou empresa, em vez de tomar decisões pressionado pela urgência", afirma.

2. Deixar os cuidados com a saúde para a última hora

É comum que o seguro saúde seja lembrado apenas quando surge um problema. Nessa situação, a decisão costuma ser tomada com menos tempo para avaliar as alternativas disponíveis. Leonardo Duarte explica que analisar previamente coberturas, rede de atendimento e perfil de utilização permite uma escolha mais adequada.

"Na contratação de um plano ou seguro saúde, olhar apenas o preço costuma ser um erro. É importante avaliar a cobertura, a rede credenciada, os períodos de carência e, principalmente, as necessidades de quem vai utilizar o serviço. Uma escolha feita com calma tende a oferecer muito mais segurança quando ela realmente for necessária", diz.

3. Comprar um imóvel ou veículo só quando a necessidade aperta

Decisões de alto valor tomadas por urgência quase sempre significam menos poder de negociação. Para Sebastião Cirelli, diretor executivo do Consórcio da Rodobens, antecipar esse movimento é o que amplia as escolhas e explica boa parte do crescimento do setor. "Quando a compra é planejada, e não empurrada por uma necessidade imediata, o consumidor consegue avaliar melhor as alternativas e encontrar soluções compatíveis com sua capacidade financeira", afirma.

Ele acrescenta uma leitura de contexto: independentemente dos juros elevados, o consórcio ganhou tração justamente por transformar a compra em um processo planejado, o que ajuda a explicar o crescimento de 14,6% nas vendas de cotas no primeiro semestre de 2026, período em que os veículos leves somaram 995,83 mil cotas, alta de 8,9% sobre o ano anterior, segundo a ABAC.

4. Adiar o começo da construção do patrimônio

Esperar o "momento ideal" para começar é o que mais adia projetos. Sebastião Cirelli defende que a formação de patrimônio depende menos do valor disponível hoje e mais da constância. "Construir patrimônio é um processo gradual. Mais importante do que esperar o momento perfeito é manter disciplina, regularidade e clareza sobre o objetivo. É isso que faz diferença no longo prazo."

Mais do que economizar na contratação de um seguro, é importante avaliar riscos, necessidades e o nível de proteção oferecido
Mais do que economizar na contratação de um seguro, é importante avaliar riscos, necessidades e o nível de proteção oferecido
Foto: Ground Picture | Shutterstock / Portal EdiCase

5. Escolher somente pelo preço

Na contratação de um seguro, comparar apenas o custo pode levar à escolha de uma cobertura incompatível com a necessidade do segurado. Rosi Dellatorre, presidente do Clube dos Corretores de Seguros de São José do Rio Preto, explica que outros fatores precisam ser considerados antes da decisão.

"O menor preço nem sempre representa a melhor escolha. Antes de comparar valores, é preciso entender quais riscos realmente precisam ser protegidos. Uma cobertura inadequada pode parecer econômica na contratação, mas gerar prejuízos justamente quando o consumidor precisar utilizar o seguro."

Segundo ela, a contratação deve considerar o perfil do cliente, o patrimônio envolvido e as situações que realmente precisam estar cobertas, evitando decisões tomadas exclusivamente pelo valor da mensalidade.

6. Assinar um contrato sem conhecer suas condições

Franquias, exclusões, limites de cobertura e formas de acionamento variam conforme o produto contratado. Ignorar esses detalhes pode gerar dúvidas justamente no momento em que o seguro precisar ser utilizado.

"Ler o contrato com atenção faz parte de uma contratação consciente. Conhecer os limites da cobertura, as exclusões, as franquias e a forma correta de acionar o seguro evita interpretações equivocadas e reduz o risco de frustração quando o consumidor mais precisa do serviço", diz Rosi Dellatorre.

Para a especialista, conhecer previamente os direitos e deveres previstos no contrato também contribui para uma relação mais transparente entre consumidor e seguradora, reduzindo conflitos e expectativas equivocadas.

7. Tratar proteção e construção de patrimônio como coisas separadas

Para Sebastião Cirelli, preservar o patrimônio já conquistado e planejar novas aquisições fazem parte da mesma estratégia financeira. "Proteger o patrimônio já construído e planejar as próximas conquistas são decisões complementares. Quando caminham juntas, a tendência é construir uma base financeira mais sólida e enfrentar os imprevistos com mais tranquilidade."

Segundo ele, quem organiza os objetivos financeiros de forma integrada costuma atravessar períodos de instabilidade com maior previsibilidade e menos necessidade de recorrer a soluções emergenciais, normalmente mais caras.

Planejamento reduz custos e amplia escolhas

Embora envolvam produtos diferentes, seguros, planos de saúde e consórcios têm um ponto em comum: funcionam melhor quando contratados antes da necessidade imediata. Ao antecipar essas decisões, o consumidor ganha tempo para comparar alternativas, entender as condições de cada modalidade e escolher a opção mais adequada ao seu perfil financeiro.

Na avaliação dos especialistas, o maior arrependimento costuma surgir justamente quando o planejamento é substituído pela urgência. Nesses casos, as opções diminuem, os custos tendem a ser maiores e a decisão passa a ser tomada sob pressão.

Os dados dos setores reforçam essa mudança de comportamento. O crescimento do mercado de seguros, da saúde suplementar e dos consórcios mostra que mais brasileiros passaram a incorporar proteção e planejamento financeiro à rotina. Ainda assim, para Leonardo Duarte, Rosi Dellatorre e Sebastião Cirelli, o principal desafio continua sendo transformar essas decisões em hábitos permanentes, e não em respostas a momentos de crise.

Por Henrique Fernandes

Portal EdiCase
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