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Indústria sobe 0,1% em março e registra terceiro mês consecutivo de alta

Setor voltou ao campo positivo após ter mostrado perda de 0,6% no último trimestre do ano passado, segundo o IBGE

7 mai 2026 - 10h46
(atualizado às 15h41)
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RIO - Após um fim de 2025 de pouco fôlego, a indústria brasileira completou o primeiro trimestre deste ano no azul. A produção teve uma ligeira alta de 0,1% em março ante fevereiro, a terceira expansão consecutiva, acumulando um crescimento de 3,1% no período. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal divulgados nesta quinta-feira, 7, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"No futuro, espera-se que o setor industrial encontre apoio em transferências fiscais significativas para as famílias, na expansão da massa salarial real da economia e em políticas industriais patrocinadas pelo governo, mas que continue a enfrentar dificuldades devido às condições monetárias e financeiras restritivas", avaliou o banco Goldman Sachs, em relatório.

A produção industrial subiu 1,4% no primeiro trimestre de 2026 ante o quarto trimestre de 2025, na série que desconta influências sazonais.

Alta da indústria no primeiro trimestre foi a mais acentuada desde o quarto trimestre de 2023
Alta da indústria no primeiro trimestre foi a mais acentuada desde o quarto trimestre de 2023
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil / Estadão

"Ou seja, a indústria volta ao campo positivo após, no último trimestre do ano passado, ter mostrado uma perda de 0,6%", observou André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE.

Macedo ressaltou que a alta da indústria no primeiro trimestre foi a mais acentuada desde o quarto trimestre de 2023, quando expandiu 1,8%.

"A indústria tem uma manutenção do comportamento positivo em março, mas a magnitude de crescimento é menor do que nos meses anteriores, e não houve disseminação (de alta entre as atividades pesquisadas)", ponderou.

Em março ante fevereiro, oito dos 25 ramos industriais pesquisados mostraram crescimento na produção. Entre as atividades, as principais influências positivas foram registradas por derivados do petróleo e biocombustíveis (2,2%), produtos químicos (4,0%) e veículos automotores (1,1%).

"Somando essas três atividades, a gente tem cerca de um terço do setor industrial. Então a gente está falando de um terço do setor industrial com crescimento acima da média", frisou Macedo. "O crescimento concentrado se deu em atividades com peso importante no segmento industrial."

Qual foi o impacto da guerra?

A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã não afetou a produção da indústria brasileira no mês de março, disse Macedo. Embora o conflito no Oriente Médio impacte o setor industrial via elevação no nível de preços, ainda não foram identificados vestígios de influência da guerra na produção, nem via dados coletados nem através dos questionários respondidos pelos informantes.

"A guerra do Irã impacta via níveis preços. Mas, num primeiro momento, no resultado da produção não consigo enxergar impacto. Sabemos que tem reflexo nas exportações, aumento de custo de insumos e fretes, mas, no momento, não vemos impacto na produção industrial", garantiu Macedo.

Segundo ele, a perda de intensidade na indústria decorre das características conjunturais dos últimos meses, como a manutenção da taxa de juros em patamares elevados. Por outro lado, o mercado de trabalho ainda robusto, com aumento na massa salarial e ocupação elevada, favorece a demanda doméstica.

"A perda de intensidade (na produção) ocorre pelas características conjunturais dos últimos meses", afirmou. "O crédito mais caro está atingindo empresas e famílias. A inadimplência está reduzindo a capacidade de consumo dessas famílias. A perda de intensidade se dá mais por fatores domésticos."

Para a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a produção industrial reflete um ambiente desafiador para o setor, "ainda fortemente pressionado pela alta taxa de juros e por um cenário externo mais adverso".

"A Selic (taxa básica de juros) mantida em níveis historicamente elevados continua sendo um dos principais entraves à atividade, aumentando o custo de crédito para financiamento pelo lado da produção e potencializando o endividamento das famílias pelo lado do consumo", corroborou a Firjan, em nota. "Esse quadro se agrava em um contexto de maior incerteza global: os conflitos geopolíticos já afetam as cadeias produtivas, impondo aumento de custos para a indústria e para a sociedade de forma geral."

Estadão
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