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Dólar dispara mais de 12% após reeleição de Lula; entenda o movimento

26 out 2026 - 11h02
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Resumo
O dólar disparou mais de 12%, cotado a R$ 5,60, refletindo a surpresa do mercado com a reeleição de Lula, que virou o placar contra Flávio Bolsonaro em um feito inédito desde 1989. O resultado contrariou as apostas dos investidores por uma agenda mais liberal, provocando forte correção nos ativos, queda nos contratos futuros da bolsa e alta nos juros. Analistas preveem volatilidade de curto prazo, enquanto o mercado monitora o ajuste fiscal, a equipe econômica e a trajetória da dívida pública.
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Foto: Suno

O dólar comercial opera em forte alta nesta segunda-feira (26), no primeiro pregão após o segundo turno das eleições presidenciais, que terminou com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Por volta das 9h09, a moeda norte-americana avançava 8,65%, cotada a R$ 5,425 na compra e na venda. Pouco mais de uma hora depois, às 10h15, a valorização já chegava a 12,21%, com o dólar negociado a R$ 5,602.

A disparada da cotação do dólar reflete a surpresa dos investidores com o resultado das urnas. Com 99,98% das urnas apuradas, Lula reunia 64.239.690 votos, contra 59.818.345 do senador Flávio Bolsonaro (PL).

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A vitória do petista também foi marcada por um fato inédito. Desde 1989, nenhum candidato que liderou o primeiro turno havia saído derrotado na disputa final. Agora, pela primeira vez, um presidenciável que terminou a primeira rodada em segundo lugar conseguiu virar o placar e vencer a eleição.

Como foi o primeiro turno entre Lula e Flávio Bolsonaro

Na primeira etapa da votação, Flávio Bolsonaro ficou à frente, com 47,03% dos votos válidos, o equivalente a 56,1 milhões de votos. Lula apareceu na sequência, com 45,16%, ou 53,8 milhões de votos.

A vantagem do senador foi de 1,87 ponto percentual, cerca de 2,2 milhões de votos. Desde a redemocratização, nenhum primeiro turno havia terminado com uma distância tão curta entre os dois primeiros colocados.

Segundo João Daronco, analista CNPI da Suno, o desfecho contrariou o cenário que o mercado vinha precificando. A Suno trabalhava com um leve favoritismo de Flávio Bolsonaro, e parte dos investidores passou a apostar em uma troca de governo e em uma agenda econômica mais liberal.

Essa aposta ganhou força nos preços depois do primeiro turno, em um período de euforia do mercado com o resultado das eleições. O Ibovespa renovou sua máxima histórica de fechamento em 9 de outubro, aos 209.066,90 pontos, e o dólar chegou a ser negociado abaixo de R$ 5,00.

O que esperar do dólar e da bolsa após a eleição

Para Daronco, os ativos que mais se valorizaram com a expectativa de mudança de governo tendem a ser os mais penalizados agora. Na análise, o analista aponta que o dólar futuro subia 9%, enquanto os contratos futuros da bolsa brasileira registravam quedas expressivas.

"Quando um cenário é tratado como o mais provável e o oposto acontece, o ajuste costuma se concentrar nos primeiros pregões. É isso que começamos a ver agora", afirma.

A expectativa é de uma correção ao longo da semana, com volatilidade elevada no câmbio e na curva de juros futuros, além de possível estresse no mercado de títulos públicos. Ainda assim, o analista reforça que este não é o momento para decisões emocionadas.

No cenário econômico, a projeção é de que o ajuste fiscal aconteça, porém de forma mais moderada do que ocorreria em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Segundo Daronco, essa leitura se apoia em falas recentes de Geraldo Alckmin e do ministro da Fazenda, Dario Durigan.

O quadro, mais estressado no curto prazo, deve pesar principalmente sobre a bolsa, mas também sobre o ritmo de queda dos juros.

O analista lembra que o mercado viveu situação parecida após a eleição de 2022, quando houve pessimismo com o retorno de Lula ao poder. Em 2023, a aprovação do novo arcabouço fiscal melhorou o ânimo dos investidores, e a bolsa teve bom desempenho na sequência.

Entre os pontos que serão acompanhados de perto estão a composição da equipe econômica para o novo mandato, as propostas fiscais para 2027 e sua tramitação no Congresso, a trajetória da dívida pública e o comportamento do câmbio, dos juros e da inflação, além da resposta do Banco Central.

Suno
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