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87% das empresas listadas na Bolsa aumentaram envolvimento com ESG

No levantamento realizado pela Deloitte em parceria com o Ibri, empresas também disseram discutir questões sociais ou ambientais nas reuniões do conselho de administração

28 jun 2022 - 09h06
(atualizado às 09h23)
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O crescente número de investidores na Bolsa e a maior demanda do mercado por modelos de negócios alinhados às boas práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) têm pressionado empresas a melhorar ações já existentes e a implementar novas métricas associadas ao tema para divulgação periódica.

Foto: iStock

Segundo pesquisa feita pela Deloitte em parceria com o Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri) e obtida em primeira mão pelo Estadão/Broadcast, 87% das empresas listadas afirmam não apenas ter aumentado o envolvimento e o conhecimento da área de relações com investidores (RI) nos temas ESG nos últimos 12 meses, como também disseram discutir questões sociais ou ambientais nas reuniões do conselho de administração. Além disso, 60% esperam aumentar o orçamento destinado ao tema neste ano.

Muitas companhias, no entanto, ainda citam a padronização de dados e a necessidade de novas formas de comunicação como desafios. Mesmo com o avanço do tema, mais de 60% ainda não possuem pessoas especializadas ou com experiência em ESG em suas áreas de RI nem no conselho.

Segundo a pesquisa, apesar de existir uma "emergência" sobre a temática ESG entre as companhias, ainda há um "caminho a percorrer" no que diz respeito ao entendimento quanto aos impactos sociais e ambientais às cadeias de produção, no estabelecimento de métricas e avanços em termos de padronização e na transparência de dados.

De acordo com o levantamento, oito em cada dez companhias listadas pretendem criar um relatório com indicadores ESG ou melhorar o já existente, mas ainda existem desafios: 51% das empresas de capital aberto citam a falta de padronização dos dados como dificuldade no desenvolvimento desse documento. Há expectativa, porém, que esse tema se desenvolva, com 91% dos entrevistados citando a padronização de relatórios e indicadores entre as principais perspectivas para o mercado de capitais.

Entre os demais desafios, ainda foram citados a falta de uma equipe especializada, a falta de ferramentas para a coleta de informações e a materialidade financeira das métricas (todos com 27% das citações), entre outros.

Macro preocupa, mas ESG continua

Ainda segundo a pesquisa, fatores como inflação, câmbio e incerteza fiscal também criam desafios para o mercado de capitais no próximo ano, de maneira que o contexto de "maior incerteza e volatilidade" pode fazer com que empresas avaliem de forma mais cautelosa seus investimentos e iniciativas de abertura de capital e ofertas subsequentes. Entre os respondentes, 86% citaram a deterioração dos indicadores macroeconômicos como desafio nos próximos 12 meses, 68% falaram sobre a evolução do processo eleitoral e 62% mencionaram a guerra na Ucrânia.

Mesmo assim, os investimentos em ESG devem continuar como uma prioridade. "Não dá mais para separar o mercado financeiro da sociedade onde ele está inserido. E determinadas informações e compromissos serão cobrados das companhias, independente de movimentos macroeconômicos de alta inflação e desemprego, por exemplo", afirmou o sócio de Audit & Assurance da Deloitte, Reinaldo Oliari.

O tema, segundo o executivo, também deve se refletir na captação das empresas. De acordo com a pesquisa, fora o caixa próprio, citado por 76% dos participantes, o empréstimo com bancos é o modelo de financiamento que mais será procurado (57%), seguido pela emissão de dívida corporativa (51%), venture capital (3%), empréstimo P2P (3%) e crowdfunding (5%).

"Os investidores querem ver se o negócio é sustentável, se os produtos ou serviços que vendem são sustentáveis e qual bem trazem para a sociedade. E essa conta chega, seja por empréstimo mais caro, dificuldade de contratar profissionais ou de manter os profissionais dentro da companhia e se reflete em seus produtos e na imagem da empresa", disse Oliari.

O movimento também ganha força com a maior entrada de pessoas físicas na Bolsa de Valores. De acordo com o levantamento, 35% das empresas citaram que esses investidores possuem alto impacto no valuation - essa porcentagem era de 18% entre 2018 e 2021 e de 6% antes de 2018. Já os bancos foram citados por 68% das companhias (ante 53% entre 2018 e 2021 e 56% antes de 2018) e as sociedades gestoras e fundos de investimentos foram mencionados por 62% (ante 55% e 42%, respectivamente, na mesma base de comparação).

Esse cenário também trouxe outras mudanças dentro das empresas. Segundo a pesquisa, 86% dos entrevistados disseram enxergar um aumento da necessidade de novas formas de comunicação, por exemplo. "Esse cenário acrescenta novas demandas no mercado, já que além do investidor institucional, a empresa também precisa saber se comunicar com o investidor pessoa física, de maneira a manter a mensagem uniformizada para toda a base de acionistas", disse o membro do conselho de administração do Ibri, Rodrigo Luz.

Entre os demais impactos trazidos pelo maior número de investidores pessoa física, as empresas ainda citaram o favorecimento de novos entrantes no mercado por meio de ofertas públicas de ações (52%), o aumento da volatilidade nos preços das ações (51%), o aumento do escopo de captura de informação sobre a companhia (47%) e a melhora na percepção do valuation da empresa (33%).

A pesquisa foi feita com 63 empresas, das quais 73% são listadas em Bolsa e 56% têm receita líquida superior a R$ 1 bilhão. Entre os entrevistados, a maioria das companhias atua no setor de Infraestrutura (29%), seguida pelos segmentos de Serviços (25%), Atividades Financeiras (13%), Construção e serviços de construção (11%), Agronegócio, alimentos e bebidas (8%), Manufatura (6%), Metalurgia e Siderurgia (5%) e Comércio (3%).

Estadão
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