Cosan levanta com IPO da Compass ao menos R$ 2 bi para calibrar suas dívidas
No primeiro IPO na B3 em mais de quatro anos, empresa de gás movimentou R$ 3,2 bilhões com uma oferta secundária de ações
Com a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da Compass, empresa de gás, a Cosan levantou ao menos R$ 2 bilhões para readequar o seu passivo — trabalho que a companhia vem fazendo desde o ano passado. No IPO, o primeiro realizado na B3 em mais de quatro anos, a Compass movimentou R$ 3,2 bilhões com uma oferta secundária de ações.
Foram vendidos o lote-base, que somou R$ 2,5 bilhões, além de R$ 325 milhões do adicional (hot issue) e R$ 375 milhões do lote suplementar (greenshoe), de acordo com pessoas a par do assunto ouvidas pelo Estadão/Broadcast. Considerando o lote base e o adicional alocados, a Cosan levantou R$ 2,041 bilhões, sendo R$ 1,85 bilhão no lote base. Esse montante pode chegar a R$ 2,4 bilhões se as ações subirem, em função do lote suplementar vendido.
Os recursos captados pela Cosan na operação devem ser usados para reduzir o passivo do grupo. No ano passado, a empresa recebeu uma injeção de capital de R$ 10,5 bilhões, liderada pelo BTG Pactual, e ainda ampliou sua flexibilidade financeira por meio de outras operações envolvendo ações da Rumo e da Cosan Dez, o veículo de investimento na Compass.
A Cosan fechou o quarto trimestre com um prejuízo líquido corporativo de R$ 5,8 bilhões, abaixo em 38%, entretanto, do mesmo período de 2024. No ano, a Cosan somou prejuízo líquido de R$ 9,722 bilhões, alta de 3% sobre 2024. A dívida líquida expandida da Cosan (corporativo) somou R$ 9,760 bilhões no quarto trimestre de 2025, com queda de 58% frente ao visto no mesmo período de 2024.
Além do IPO da Compass, o grupo trabalha em outras estratégias que podem envolver a venda da participação na Rumo. O maior problema do Grupo Cosan nesse momento é a Raízen, empresa de energia que tem a Shell como parceira, e está em reestruturação extrajudicial. A Raízen tem dívidas de R$ 65 bilhões, já se desfez de várias usinas e está para concluir a venda, por até US$ 1,5 bilhão, de suas operações na Argentina, que incluem cerca de 900 postos com a bandeira Shell.
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