Mesmo com a desistência do Citibank, BankBoston e Banco Bilbao Vizcaya de participar do leilão do Banespa, o Banco Central (BC) não admite mudar a data para a venda da instituição, que está prevista para a próxima segunda-feira, dia 20. A informação é da Assessoria de Imprensa do BC, que define a decisão dos bancos como privada e que diz respeito somente às empresas.Na avaliação do secretário do Tesouro Nacional, Fábio Barbosa, a saída dos candidatos estrangeiros não compromete o leilão. Ele acredita que o leilão será competitivo e o Banespa será vendido por um bom preço.
Fontes do BC, que acompanham o processo, não têm dúvidas que a saída dos estrangeiros é um reflexo da instabilidade provocada nos mercados emergentes pela turbulência argentina. Os analistas acreditam que as matrizes desses bancos podem ter feito novas avaliações, refeito os cenários e, mais pessimistas, acabaram desistindo de participar do leilão.
Hoje os presidentes do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães, e da Câmara, Michel Temer, receberam, em audiências separadas, uma comissão formada por parlamentares e sindicalistas que defendem a suspensão do leilão e apóiam o plebiscito para decidir o destino do banco.
O governo já montou um grupo de trabalho para preparar o aparato jurídico destinado a garantir a venda do banco na segunda-feira. Até o fim desta semana é esperada a decisão da juíza Rosimarye Gonçalves de Carvalho, da 1ª Vara da Justiça Federal, em Brasília, nas duas ações contra a privatização do banco. Uma foi movida pelo Ministério Público e a outra pelo presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), José Dirceu. A juíza, que anteriormente já deu liminar em outra ação que questionava a privatização, já pediu ao governo que se pronuncie sobre o assunto e deu prazo até o fim da tarde de quinta-feira.