A desistência de três fortes bancos estrangeiros de participar do leilão do Banespa e a indefinição de outros dois tornaram a privatização do banco paulista uma incógnita, especialmente sobre uma possível disputa entre os conglomerados nacionais e os internacionais. Hoje, o maior grupo americano, o Citibank, divulgou nota informando sua decisão de não participar do leilão e justificou que, "apesar da atratividade da carteira de clientes daquela instituição, as projeções de retorno sobre o capital a ser investido no Banespa não se mostraram compatíveis com os padrões das operações internacionais do Citigroup".O impacto da notícia no papel do banco foi imediato e após o Banco Bilbao Vizcaya, segundo maior grupo espanhol, também anunciar sua desistência, os papéis despencaram de vez. No pior momento do pregão de hoje, as preferenciais caíram 6,98% e as ordinárias 4,03%. Na segunda-feira, o BankBoston já comunicara que estava de fora da disputa.
O mercado sempre avaliou que o leilão do Banespa seria disputadíssimo pela importância do banco no sistema bancário nacional, e a derradeira oportunidade para as instituições de se posicionarem no País. O gigante Citibank sempre manifestou interesse em expandir suas atividades no varejo local. Sua desistência, portanto, teve mais impacto do que a do BBVA, cuja participação de certa forma já era considerada uma incógnita. O banco espanhol alegou "razões estratégicas", no comunicado distribuído à imprensa, reafirmando interesse em consolidar sua presença no Brasil. Mas as recentes aquisições do BBVA podem ter inviabilizado a participação no leilão do Banespa. Em meados do ano, o conglomerado espanhol arrematou o Bancomer, instituição mexicana bastante semelhante ao Banespa, pagando US$ 2,8 bilhões (o preço mínimo era de US$ 1 bilhão).
A posição do banco na América Latina ficou maior do que na Europa e a possível aquisição do Banespa aumentaria a exposição a risco do banco e também os custo das operações. O Santander promete fazer suspense sobre sua participação até sexta-feira, dia em que o Banco Central divulga o nome dos pré-identificados. Fontes acreditam que o Santander entregou a documentação exigida, mas consideram que o HSBC está de fora do processo. São grandes as chances de a disputa limitar-se aos nacionais.