As instituições financeiras da Europa têm mais motivos para se preocupar com a crise na Argentina do que as norte-americanas. Os bancos europeus, sobretudo os espanhóis, aumentaram sua exposição à Argentina US$ 3,1 bilhões só no segundo trimestre deste ano. Esse aumento se deu em particular pela compra de bônus do governo argentino, segundo dados do BIS (Banco para Compensações Internacionais, espécie de banco central dos bancos centrais), com sede na Basiléia, Suíça.Os bancos espanhóis representavam parte significativa da exposição das instituições internacionais à Argentina ao final de junho. Do total de US$ 68,51 bilhões devidos pelo país, US$ 17,744 bilhões representavam empréstimos feitos por instituições financeiras espanholas. A exposição dos bancos espanhóis é bem superior, por exemplo, aos US$ 11,13 bilhões devidos pela Argentina aos bancos norte-americanos, de acordo com os dados do BIS.
Os bancos de outros países europeus também mostram exposição significativa à Argentina: Alemanha, US$ 9,24 bilhões, Itália, US$ 5,67 bilhões, França, US$ 3,47 bilhões, Grã-Bretanha, US$ 6 51 bilhões. As estatísticas do BIS podem divergir das divulgadas pelos países ou pelos próprios bancos, entre outras razões, por causa de diferentes critérios de cálculos. Consultado por e-mail pela Agência Estado, o BIS informou que não coleta informação de bancos em particular, mas apenas dados agregados sobre o sistema bancário de um país. "Em geral, esses dados (individuais) são vistos como extremamente confidenciais e raramente são divulgados", respondeu Melissa Fiorelli, analista de estatísticas do BIS.
A maior exposição dos bancos espanhóis na Argentina, no entanto, aparece nos relatórios de diferentes instituições financeiras. Segundo fonte do ABN Amro Bank em Buenos Aires, o espanhol BBVA, que na Argentina controla o Banco Francés, tem US$ 6,1 bilhões em empréstimos ao país e mais US$ 1,2 bilhão em títulos do governo em seu poder. O também espanhol BSCH, que controla o Banco Rio de La Plata SA, possui um total de empréstimos de US$ 6 bilhões para a Argentina, além de deter US$ 1,9 bilhão em títulos do governo argentino.
De acordo com a fonte, depois dos espanhóis, as instituições financeiras internacionais mais expostas individualmente à Argentina são os bancos norte-americanos. O Citigroup teria empréstimos de US$ 4,7 bilhões e mais US$ 1,4 bilhão em títulos do governo, enquanto o FleetBoston (BankBoston no Brasil) acumula empréstimos de US$ 5,7 bilhões, além de US$ 900 milhões em títulos do governo argentino.
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