A desistência de três bancos estrangeiros — Citibank, BankBoston e BBVA — na disputa pelo leilão do Banespa não deve tirar o brilho da briga pelo controle do banco estatal paulista na próxima segunda-feira, disseram hoje analistas.Especialistas no setor bancário disseram que os bancos locais, sobretudo os dois maiores bancos privados Bradesco e Itaú, devem competir fortemente pelo Banespa, garantindo a venda do bloco único de cerca de 30% do capital do banco por um valor acima do preço mínimo fixado em R$ 1,85 bilhão.
O ágio esperado entre diversos analistas varia de 25% a 100%.
``Acho que essas desistências não mudam o quadro'', disse Carlos Antônio Magalhães, analista da consultoria Sirotksy & Associados. ``Se saísse o Bradesco ou o Itaú, eu ficaria mais preocupado.''
O Citibank e o BankBoston, as respectivas unidades brasileiras do Citigroup e do FleetBoston Financial Corp., desistiram de participar do leilão, insatisfeitos com os esperados retornos sobre o capital a ser investido no Banespa. Hoje o BBVA anunciou que também não participará do leilão.
Os outros dois estrangeiros no páreo, o britânico HSBC e o também espanhol Banco Santander Central Hispano, não se pronunciaram sobre a venda.
Magalhães disse que a concorrência entre os dois maiores bancos privados brasileiros já garante um leilão bem-sucedido.
``Um vai atrapalhar um pouco o outro,'' disse ele.
O Banespa é um dos maiores bancos brasileiros, com ativos de quase R$ 30 bilhões e uma ampla base de clientes no Estado mais rico do país. Com a compra do banco, o Bradesco consolida com larga vantagem a sua posição de liderança entre os privados, enquanto o Itaú ultrapassaria o gigante e alcançaria o cobiçado lugar de primeiro do ranking.
Outros analistas acreditam que a saída de cena de bancos estrangeiros deverá aumentar o apetite do Unibanco, terceiro maior banco privado, e do Banco Safra, atualmente o sexto colocado. Os dois pré-qualificados confirmaram sua pré-identificação para o leilão.
``Isso aumenta as pressões pelos nacionais Unibanco e Safra'', disse Rafael Magalhães, analista do BES Securities.
Ambos os bancos precisam ganhar escala e assim melhor competir com os líderes locais e não transformarem-se em alvo de cobiça de outras instituições.
Alguns analistas já haviam dito que os bancos domésticos estariam melhor posicionados para comprar o Banespa pela sua experiência em reestruturar bancos estaduais e em lidar com o custo político de demissões.
Além disso, os bancos estrangeiros estariam mais preocupados com as idas e vindas do processo de venda, marcado por batalhas judiciais e oposição de sindicatos.
Com informações da Redação Terra
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