Paulo Betti sofre patrulhamento por estar 'gay demais' em Império
10 ago
2014
- 09h53
Desde suas primeiras cenas em 'Império', o ator Paulo Betti se tornou alvo de críticas sobre o tom de sua interpretação.Há um quase consenso de que ele se equivocou na composição de Téo Pereira, o blogueiro gay obcecado em expor a bissexualidade de um ex-amor de infância, o bom marido e pai exemplar Claudio (José Mayer).O personagem é a personificação do mau jornalismo, da maledicência, da invasão de privacidade e dos estereótipos da homossexualidade masculina.As críticas mais espinhosas são direcionadas aos trejeitos que Paulo Betti assumiu em cena. Téo é superlativo em tudo — e parece fazer questão de dar tanta 'pinta'.Esse mesmo patrulhamento não aconteceu com Mateus Solano e sua performance igualmente exagerada em 'Amor à Vida'.Como esquecer, por exemplo, de Félix 'sensualizando' com barriga de fora e flor no cabelo, vendendo hot dog aos gritos na rua 25 de Março?A diferença é que aquele vilão tinha muito carisma e oferecia humor popular ao telespectador. A 'bicha má' se apoiou na rejeição sofrida do pai homofóbico (César/Antônio Fagundes) e acabou conquistando a aprovação da maioria dos noveleiros.Já Téo é veneno puro. O humor apresentado até aqui não foi bem digerido pelo público. E a justificativa para seu comportamento tóxico ainda não se mostrou convincente.Isso poderá mudar quando o blogueiro revelar que, por baixo de tanta futilidade e malícia, há sentimentos dolorosos, traumas e, quem sabe, alguma chance de redenção.As cenas de Téo com o aprendiz de michê Robertão (Rômulo Arantes Neto) vão beirar a chanchada, e talvez façam o telespectador se divertir mais com o personagem, que poderá ter suavizada sua personalidade tão histriônica.Quem defende a interpretação caricata de Paulo Betti argumenta que: se um vilão pode ser exageradamente mau, uma heroína pode ser exageradamente romântica, um bom moço pode ser exageradamente honesto, por que um personagem gay não pode ser exageradamente gay?Certamente não foi à toa que o autor de 'Império', Aguinaldo Silva, homossexual assumido, criou Téo para ser uma bomba-relógio prestes a explodir.A polêmica é um dos recursos mais eficientes para atrair a atenção geral para uma novela. O lema de Téo Pereira poderia ser 'falem mal, mas falem de mim'.Resta aguardar a posição do veterano Paulo Betti e da direção de 'Império' diante da avaliação desfavorável do desempenho do ator: manter o personagem na mesma alta voltagem, ou pasteurizá-lo para incomodar menos.
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