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O Rebu termina sem fazer do público um cúmplice do mistério

12 set 2014 - 09h04
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Foto: Estevam Avellar/TV Globo
Foto: Estevam Avellar/TV Globo
Foto: Sala de TV
Talvez nunca haja outra mobilização como aquela gerada pelo 'Quem matou Salomão Ayala?' ('O Astro', 1977) ou fenômeno semelhante ao 'Quem matou Odete Roitman?' ('Vale Tudo', 1988).Mas sempre que uma produção de teledramaturgia recorre ao velho recurso do 'quem matou?', automaticamente surge a expectativa pelo mistério a ser acompanhado até a revelação da identidade do assassino.Com uma badalada campanha de lançamento, O Rebu prometia gerar esse frisson tão caro ao telespectador. Havia ainda o peso relativo por aproveitar a ideia original apresentada na versão escrita por Bráulio Pedroso, em 1974.Porém o que se viu foi o desinteresse de boa parte do público em descobrir, afinal, quem havia matado Bruno (Daniel de Oliveira). O capítulo de ontem revelou o assassino. Ou melhor, a assassina: Duda (Sophie Charlotte). Como já se especulava, foi um crime passional.Ou será que nada é o que parece e hoje, na exibição do último capítulo, haverá uma reviravolta capaz de provocar nos telespectadores a empolgação inexistente até aqui? Tudo indica que haverá uma surpresa no episódio final desta noite.O anticlímax na reta final de O Rebu reforça a impressão de uma grande produção desconectada do telespectador. Houve premissa interessante, elenco estelar, direção impecável. Só faltou o principal: conquistar o telespectador, fazê-lo parte da festa que serviu de ambientação para a trama principal.A novela com verniz de filme noir pecou pelo excesso de frieza. A maior parte dos personagens não apresentou um traço sequer de carisma nem humor. A começar pelo cadáver na piscina.Após a revelação de sua morte logo na estreia, Bruno foi apresentado nos capítulos seguintes como um vilão sedutor. Um jovem movido pela ambição por dinheiro e, ao mesmo tempo, fazendo do sexo uma moeda de troca.Acontece que, após crápulas magistrais vistos recentemente em novelas, e é impossível não citar Félix (Mateus Solano em 'Amor à Vida') como um porta-estandarte deles, o personagem não basta ser mau.É fundamental envolver o telespectador a ponto de conquistá-lo como cúmplice. Fazer da maldade um show, e não somente uma característica maniqueísta. Bruno morreu antes que o telespectador de O Rebu o conhecesse na essência. E, quando percebeu afinal de quem se tratava, o público não se mostrou cativado.Outros três aspectos prejudiciais ao desempenho da novela foram o horário irregular (exibida após Império às segundas, e por volta das 23h30 nas terças, quintas e sextas), a duração desnecessariamente longa — foram 36 capítulos que poderiam ter rendido melhor fluidez com a metade — e o excesso de tramas paralelas; algumas tão obscuras e arrastadas quanto a própria morte de Bruno.Em relação ao elenco fica impossível não exagerar nos adjetivos. Performances grandiosas, especialmente as de Tony Ramos (Braga), Patrícia Pillar (Ângela), Cássia Kis Magro (Gilda), Sophie Charlotte (Duda) e Julio Andrade (Oswaldo).Bel Kowarick fez uma boa estreia em TV como Lídia. Alguns coadjuvantes tiveram ótimos momentos, como os sempre competentes Claudio Jaborandy (Severino) e Cyria Coentro (Marineide). Jesuita Barbosa (Alain) mostrou que as câmeras de TV são atraídas por ele, assim como as de cinema.Com média geral de 15 pontos de Ibope, O Rebu foi escrita por George Moura e Sérgio Goldenberg, com colaboração de Charles Peixoto, Flávio Araújo, Lucas Paraízo e Mariana Mesquita. Direção de Paulo Silvestrini, Luisa Lima e Walter Carvalho. Direção geral e de núcleo de José Luiz Villamarim.
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