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Globo usa beijos gays para rebater discurso homofóbico

Em ‘Malhação’, declaração romântica de Santiago a Michael cita preconceito contra os homossexuais ‘afeminados’

4 out 2018 10h50
| atualizado em 5/10/2018 às 18h58
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Lica e Samantha, Michael e Santiago, Luccino e Otávio: casais gays são vistos com frequência na teledramaturgia da Globo
Lica e Samantha, Michael e Santiago, Luccino e Otávio: casais gays são vistos com frequência na teledramaturgia da Globo
Foto: TV Globo / Divulgação

O capítulo 149 de Malhação: Vidas Brasileiras, exibido na quarta-feira (dia 3), teve o aguardado encontro entre o jogador de futsal Santiago (Giovanni Dopico) e seu admirador secreto, Michael (Pedro Vinícius).

Ouça o podcast Terra Entretenimento:

O desfecho foi melhor do que poderiam prever os fãs que já haviam ‘shippado’ os dois como casal #Santiel: houve declaração de paixão e beijo na boca.

Ao descobrir que o autor das mensagens que recebia era Michael, um gay assumido e autoconfiante, Santiago estranhou o fato de o rapaz usar roupas ‘sérias’ no encontro.

“Eu me apaixonei por um cara ousado, espontâneo, alguém que não ia tentar mostrar o que não é”, disse o atleta.

“Achei que você não gostava do meu jeito afeminado”, explicou Santiago, adepto de figurinos agêneros e coloridos.

“Obrigado por tentar me agradar, mas não precisa fazer isso”, respondeu Santiago.

Em outra cena, já em clima de namoro, os dois se afastaram do burburinho do pátio do colégio e se beijaram.

Na ficção, ambos são adolescentes. Na vida real, Pedro tem 18 anos e Giovanni, 23.

O beijo gay deixou de ser tabu na Globo, definitivamente. A emissora que, em 2005, proibiu que Junior (Bruno Gagliasso) e Zeca (Erom Cordeiro) se beijassem no último capítulo de América, agora libera o gesto de carinho entre dois homens às 17h, faixa de teledramaturgia dedicada ao telespectador infantojuvenil, com classificação indicativa para maiores de 12 anos.

Essa sequência de Malhação: Vidas Brasileiras acontece poucas semanas após outro beijo gay na emissora, entre o capitão do exército Otávio (Pedro Henrique Müller) e o mecânico Luccino (Juliano Laham) no final da novela das 18h Orgulho e Paixão.

Em agosto, o público da Globo acompanhou o beijo de Maura (Nanda Costa) e Selma (Carol Fazu), que formam um casal no folhetim das 21h Segundo Sol.

A temporada anterior de Malhação, Viva a Diferença, também teve um romance lésbico. Lica (Manoela Aliperti) e Samantha (Giovanna Grigio) primeiramente deram um selinho e, capítulos depois, protagonizaram um beijo intenso com ampla repercussão nas redes sociais e na imprensa.

É possível afirmar que alguns autores da Globo têm usado suas obras – com valiosa visibilidade no canal de maior audiência do País – para rebater o discurso homofóbico presente nesta campanha presidencial e a crescente incidência de agressões a pessoas LGBT+ no Brasil.

Um show de promoção da diversidade sexual que certamente contraia a parcela conservadora do público.

Essa postura liberal da emissora da família Marinho começou em janeiro de 2014, quando aconteceu o primeiro beijo na boca entre dois homens em sua teledramaturgia: Félix (Mateus Solano) e Nikko (Thiago Fragoso) tiveram final feliz no último capítulo de Amor à Vida.

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