Crianças violentadas, feminicídios, cão massacrado: a TV não tem como ignorar desgraças
A realidade se impõe e exige que o jornalismo dê mais espaço às notícias policiais sem cair no sensacionalismo
‘Crianças sofrem estupro coletivo’. ‘Homem mata os filhos para se vingar da esposa’. ‘Mulher é morta por policial em abordagem’. ‘Cão adotado por comunidade morre após ser agredido a pauladas’.
Estas são algumas manchetes apresentadas em telejornais nos últimos meses. Uma pequena amostra das atrocidades quase diárias no país. A maioria, provavelmente, nem chega ao noticiário.
Há uma discussão sobre cobrir ou não este tipo de caso violento. Muitos acreditam que a exibição na TV deixa a população ainda mais aterrorizada.
Mas como fugir da realidade?
Ignorar seria anti-jornalístico: o mundo, infelizmente, não produz apenas notícias positivas. O telespectador tem o direito de assistir à verdade dos fatos, e não uma versão pasteurizada do cotidiano.
“Os criminosos se beneficiam da lei do silêncio, do medo da população em denunciar. Por isso, a imprensa precisa noticiar”, afirma a repórter Patrícia Calderón, com longa experiência em cobertura policial na TV. Recentemente, ela revelou informações exclusividas a respeito da morte do cachorro Orelha.
A repercussão na TV sobre crueldade animal, feminicídio, pedofilia e outras ocorrências hediondas serve para pressionar legisladores, governantes, forças policiais e Judiciário a agir em defesa da população.
“Não podemos aceitar casos serem abafados e a normalização dessas violências absurdas. É necessário pressionar as autoridades”, diz Calderón.
Cabe aos telejornais informar com responsabilidade, evitando o tom sensacionalista visto em alguns programas que exploram o mundo cão por audiência.
O horror fala por si, dispensa apresentador exaltado, trilha de suspense, imagens explícitas, perguntas invasivas a familiares de vítimas e mais equívocos.
Há outro ponto que costuma passar despercebido nesse debate: a violência é um retrato social.
Quando uma criança sofre abuso sexual, uma mulher perde a vida nas mãos de um homem ou um animal sofre espancamento até a morte, não estamos diante de episódios isolados.
São sinais da ausência do Estado, da banalização da agressividade, da aposta na impunidade, do abandono psicológico, da desestrutura familiar e da cultura de ódio disseminada especialmente nas redes sociais.
Nesse contexto, o jornalismo cumpre a função de memória. Ao registrar crimes e cobrar respostas, impede que casos desapareçam no esquecimento burocrático.
Quando âncoras e formadores de opinião com forte credibilidade, a exemplo de Renata Vasconcellos (‘Jornal Nacional’), Adriana Araújo (‘Jornal da Band’) e Mariana Godoy (‘Jornal da Record’) se indignam diante das câmeras, representam o grito coletivo por segurança e justiça.
Comover e incomodar o público com essas notícias assustadoras e tristes é uma maneira de não permitir que a barbárie seja banalizada.
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