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Crianças violentadas, feminicídios, cão massacrado: a TV não tem como ignorar desgraças

A realidade se impõe e exige que o jornalismo dê mais espaço às notícias policiais sem cair no sensacionalismo

8 mai 2026 - 11h36
(atualizado às 11h37)
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‘Crianças sofrem estupro coletivo’. ‘Homem mata os filhos para se vingar da esposa’. ‘Mulher é morta por policial em abordagem’. ‘Cão adotado por comunidade morre após ser agredido a pauladas’.

Estas são algumas manchetes apresentadas em telejornais nos últimos meses. Uma pequena amostra das atrocidades quase diárias no país. A maioria, provavelmente, nem chega ao noticiário.

Há uma discussão sobre cobrir ou não este tipo de caso violento. Muitos acreditam que a exibição na TV deixa a população ainda mais aterrorizada.

Mas como fugir da realidade?

Ignorar seria anti-jornalístico: o mundo, infelizmente, não produz apenas notícias positivas. O telespectador tem o direito de assistir à verdade dos fatos, e não uma versão pasteurizada do cotidiano.

“Os criminosos se beneficiam da lei do silêncio, do medo da população em denunciar. Por isso, a imprensa precisa noticiar”, afirma a repórter Patrícia Calderón, com longa experiência em cobertura policial na TV. Recentemente, ela revelou informações exclusividas a respeito da morte do cachorro Orelha.

A repercussão na TV sobre crueldade animal, feminicídio, pedofilia e outras ocorrências hediondas serve para pressionar legisladores, governantes, forças policiais e Judiciário a agir em defesa da população.

“Não podemos aceitar casos serem abafados e a normalização dessas violências absurdas. É necessário pressionar as autoridades”, diz Calderón.

Renata Vasconcellos, da Globo, Adriana Araújo, da Band, e Mariana Godoy, da Record: os formadores de opinião não podem se omitir diante da violência cotidiana
Renata Vasconcellos, da Globo, Adriana Araújo, da Band, e Mariana Godoy, da Record: os formadores de opinião não podem se omitir diante da violência cotidiana
Foto: Reproduções/TV

Cabe aos telejornais informar com responsabilidade, evitando o tom sensacionalista visto em alguns programas que exploram o mundo cão por audiência.

O horror fala por si, dispensa apresentador exaltado, trilha de suspense, imagens explícitas, perguntas invasivas a familiares de vítimas e mais equívocos.

Há outro ponto que costuma passar despercebido nesse debate: a violência é um retrato social. 

Quando uma criança sofre abuso sexual, uma mulher perde a vida nas mãos de um homem ou um animal sofre espancamento até a morte, não estamos diante de episódios isolados. 

São sinais da ausência do Estado, da banalização da agressividade, da aposta na impunidade, do abandono psicológico, da desestrutura familiar e da cultura de ódio disseminada especialmente nas redes sociais.

"Quando a imprensa noticia crimes, os órgãos competentes se sentem pressionados a dar respostas à sociedade", afirma a jornalista Patrícia Calderón
"Quando a imprensa noticia crimes, os órgãos competentes se sentem pressionados a dar respostas à sociedade", afirma a jornalista Patrícia Calderón
Foto: Divulgação

Nesse contexto, o jornalismo cumpre a função de memória. Ao registrar crimes e cobrar respostas, impede que casos desapareçam no esquecimento burocrático.

Quando âncoras e formadores de opinião com forte credibilidade, a exemplo de Renata Vasconcellos (‘Jornal Nacional’), Adriana Araújo (‘Jornal da Band’) e Mariana Godoy (‘Jornal da Record’) se indignam diante das câmeras, representam o grito coletivo por segurança e justiça.

Comover e incomodar o público com essas notícias assustadoras e tristes é uma maneira de não permitir que a barbárie seja banalizada.

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