Contagem regressiva: SBT tem 10 dias para exibir direito de resposta de Erika Hilton após ataque de Ratinho
O SBT perdeu na segunda instância e agora tem dez dias para exibir o direito de resposta da deputada federal Erika Hilton. Se descumprir o prazo, a emissora passa a pagar multa diária de R$ 50 mil. É a segunda derrota da casa no mesmo processo, agora em instância superior. A decisão da 3ª Câmara […]
O SBT perdeu na segunda instância e agora tem dez dias para exibir o direito de resposta da deputada federal Erika Hilton.
Se descumprir o prazo, a emissora passa a pagar multa diária de R$ 50 mil.
É a segunda derrota da casa no mesmo processo, agora em instância superior.
A decisão da 3ª Câmara de Direito Privado do TJ-SP negou o recurso da casa e manteve a obrigação imposta em primeira instância.
Como a resposta terá de ir ao ar, no SBT
A exibição não pode ser feita em qualquer espaço da grade. A resposta precisa sair no próprio Programa do Ratinho.
A determinação inclui ainda o mesmo horário e o mesmo destaque dados à fala original.
É o formato clássico do direito de resposta na TV: reparação proporcional ao alcance da ofensa.
O que Ratinho disse em março
O caso nasceu quando Ratinho criticou no ar a nomeação da parlamentar para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.
Na ocasião, ele afirmou que a deputada não é mulher e listou critérios biológicos para definir o que seria uma.
O juiz do caso teria entendido que o apresentador ultrapassou o limite da crítica política e partiu para a desqualificação pessoal.
A reação da deputada Erika Hilton
Erika Hilton comemorou o resultado nas redes sociais e classificou o julgamento como sentença histórica.
Ela afirmou que o comunicador não tem o direito de definir quem é mulher nem de ofender mulheres trans em rede nacional.
É a segunda frente jurídica entre os dois: a parlamentar também processou o apresentador por transfobia, com pedido de indenização de R$ 10 milhões.
O silêncio do SBT
Procurada, a assessoria do SBT informou que não se manifesta sobre processos judiciais.
A decisão ainda comporta recurso, o que pode prolongar a disputa mesmo com o prazo correndo.
Enquanto isso, o relógio de dez dias segue contando contra a emissora.
Na prática, a casa terá de escolher entre cumprir a determinação no ar ou apostar em nova tentativa na Justiça.
O acúmulo de casos envolvendo Ratinho
A condenação chega em um momento de pressão sobre o comunicador, alvo recente de queixa-crime no Ministério Público de São Paulo por outra fala.
Em agosto, ele comentou o cabelo de um cantor sertanejo no palco e foi acusado de homofobia por um ativista.
A presidente da emissora, Daniela Abravanel Beyruti, saiu em defesa dele na ocasião, atribuindo o episódio à geração a que pertence.
O padrão se repete: falas no ar, repercussão nas redes e desdobramento na Justiça.
Desde 2019, por decisão do Supremo Tribunal Federal, condutas homofóbicas e transfóbicas são equiparadas ao crime de racismo no país.
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