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Tragédias fazem jornalismo ser dependente das redes sociais

Emissoras de TV se abastecem de informações e imagens compartilhadas por anônimos

18 ago 2017
11h45
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Aconteceu nos atentados de Nova York, Madrid, Boston, Paris, Londres e agora se repete no terrorismo em Barcelona: o jornalismo busca nas redes sociais de pessoas anônimas – especialmente aquelas que se tornam testemunhas oculares dos fatos – fotos, vídeos e informações ‘quentes’, minuto a minuto.

A informação deixou de ter dono. Basta um celular em mãos e qualquer pessoa vira narrador da História e faz as vezes de repórter. Esse material amador rivaliza com o conteúdo disponibilizado por grandes (e caras) agências de notícias. 

William Bonner e Renata Vasconcellos, âncoras do 'Jornal Nacional': a internet passou a pautar o telejornalismo
William Bonner e Renata Vasconcellos, âncoras do 'Jornal Nacional': a internet passou a pautar o telejornalismo
Foto: Divulgação/Rede Globo

Antigamente, imagens feitas por não profissionais eram usadas em último caso pelos telejornais, por conta da falta de padrão de qualidade. Quando o conteúdo era relevante, o autor do flagra até ganhava cachê para ceder os direitos autorais pela veiculação exclusiva.

Hoje, minutos (ou até segundos) após um acontecimento mobilizador a internet já tem registros variados feitos por quem está no epicentro da notícia.

Muitas vezes, aquilo que é compartilhado com amigos e seguidores em perfis pessoais no Facebook, Twitter e Instagram vai parar nos jornalísticos das principais emissoras.

A web virou pauteira e fornecedora de matéria-prima ao telejornalismo. Monitorar o gigantesco fluxo de dados da internet faz parte da rotina de quem trabalha em TV, pois dali pode sair a principal manchete do dia a ser lida e comentada pelos âncoras.

Contudo, se por um lado a agilidade do mundo virtual facilita o trabalho nas redações, emperra o jornalismo investigativo que exige a saída às ruas e o olho no olho com as fontes e os personagens. 

Afinal, é mais fácil – e menos oneroso – resolver tudo diante da tela do computador ou celular.

Essa prática 'indoor' de jornalismo tem efeitos colaterais. Um deles é a queda na frequência de 'furos' (a descoberta de notícia bombástica).

Afinal, nem tudo se pode apurar apenas com alguns cliques no teclado. Há notícias que exigem a busca em campo, uma corrida literal atrás dos fatos.

Já diante do imponderável, como um ataque terrorista como o de Barcelona, é uma questão de sorte estar na hora certa, no lugar certo, para registrar imagens capazes de atrair a atenção do mundo.

Ms seja onde for, sempre haverá uma câmera de celular ligada e alguém disposto a compartilhar o que viu.

Veja imagens de Barcelona poucos depois do ataque
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