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Andressa Urach: cúmplice e vítima da ditadura da beleza na TV

4 dez 2014 - 10h55
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Foto: Reprodução/Instagram @andressaurachoficial
Foto: Reprodução/Instagram @andressaurachoficial
Foto: Sala de TV

"O telespectador não quer ver gente feia no ar."

A frase dita pelo apresentador Luiz Bacci, do 'Tá na Tela' da Band, em entrevista há alguns meses ao programa Pânico na rádio Jovem Pan, é uma espécie de dogma midiático.

A televisão realmente precisa de atrativos para segurar a atenção do telespectador. A beleza revela-se um dos mais eficientes. Principalmente quando explorada de maneira explícita.

Em muitos programas populares a mulher é tratada e oferecida como objeto de desejo por meio da superexposição de sua sensualidade.

Na teoria não há nada de errado nisso. Afinal, mostra o corpo quem quer, assiste à exibição dele quem assim o deseja. Não há ingênuos em nenhum dos lados da tela da TV.

Porém, ao acompanhar o caso da modelo e apresentadora Andressa Urach, fica impossível não contestar os limites da vaidade pessoal e da ditadura da beleza imposta pela mídia.

A todo momento surge no vídeo, explicitamente ou em mensagem subliminar, a cobrança por um corpo perfeito e uma sexualidade patente.

A mulher é julgada pela circunferência da bunda, os mililitros implantados nos seios, o volume dos lábios e o nível de testosterona masculina que consegue efervescer.

O homem também não escapa do olhar julgador estimulado pela mídia: precisa ser musculoso, viril, metrossexual e ter fama de pegador.

A TV passa um recado cruel: se você não é bonito, sensual e desejado não pode entrar para o clube. O mundo parece dividido entre quem nasceu para ser admirado e os que precisam se conformar em apenas admirar.

Andressa Urach perdeu o bom senso e a saudável noção de perigo ao atacar o próprio corpo com procedimentos estéticos violentos.

Ela é vítima desse estímulo irresponsável pela busca da perfeição corporal e, ao mesmo tempo, peça de propaganda dessa inversão de valor no qual você vale aquilo que aparenta ser e ter.

Escrava da própria imagem, Urach foi de símbolo de beleza a exemplo dramático da vaidade extrema. A obsessão por fama, admitida pela própria apresentadora, a fez implodir o próprio corpo.

O genial escritor russo Fiódor Dostoiévski escreveu: "A beleza salvará o mundo". O preço cobrado mostra-se inviável.

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