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A visão de um ator argentino sobre novelas e troca cultural

Destaque no filme ‘Águas Selvagens’, Juan Manuel Tellategui comenta influência de artistas e produções do Brasil em sua carreira

24 mai 2022 14h19
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Tellategui é fã da MPB e gostou da novela Xica da Sil
Tellategui é fã da MPB e gostou da novela Xica da Sil
Foto: Rafa Marques/Divulgação

Radicado em São Paulo desde 2011, o argentino Juan Manuel Tellategui tem no currículo cerca de 50 trabalhos entre filmes, peças e séries de TV e streaming.

Graduado em Teatro e pós-graduado em Artes, Filosofia e Música, o artista gostaria de maior interação entre as culturas do Brasil e da Argertina.

No momento, ele pode ser visto no suspense ‘Águas Selvagens’, do cineasta Roly Santos, em cartaz em cinemas de grandes cidades. O longa tem elenco de várias nacionalidades.

Juan Manuel Tellategui em cenas de ‘Águas Selvagens’
Juan Manuel Tellategui em cenas de ‘Águas Selvagens’
Foto: Divulgação

Revele um pouco de seu personagem e do roteiro do filme.

Em ‘Águas Selvagens eu interpreto o personagem Fabián, que é o concierge do hotel onde acontece grande parte da trama. Ele é um jovem morador da região da Tríplice Fronteira, que por trabalhar neste hotel entra em contato com um mundo exterior que não é parte da sua realidade cotidiana. Isso o deixa fascinado, despertando paixões que não consegue dimensionar, ficando preso numa rede de crimes e poder que o leva a cometer atos falhos irreversíveis.

Como foi contracenar com estrelas da TV, como Leona Cavalli, Roberto Birindelli e Mayana Neiva?

São três atores que eu admiro por suas trajetórias. Contracenar com eles foi uma experiência de grande troca e aprendizado que vou levar para a vida toda. Com o Birindelli tive conversas muito profundas no set sobre a nossa profissão, sobretudo pelo fato de ele ser uruguaio e eu argentino, trabalhando no Brasil. Também foi um prazer trabalhar com meus colegas argentinos Daniel Valenzuela, Mario Paz e Mausi Martínez, e o colega uruguaio Néstor Núñez, com quem gravei uma cena de alta voltagem no filme na qual ele foi um grande parceiro.

Na sua adolescência e juventude na Argentina, você assistia às novelas brasileiras exibidas lá, e a outros programas com brasileiros, como o da Xuxa?

A música brasileira e o Carnaval do Rio de Janeiro sempre estiveram presentes na minha casa. Minha mãe era fã da Gal Costa. Depois, ouvi discos de Marisa Monte, Tribalistas e Maria Rita, que me encantaram. Vi um show inesquecível de Caetano Veloso, com sua voz e violão, na Feira do Livro de Buenos Aires. Outro show marcante foi o de Daniela Mercury no Teatro Gran Rex. Sobre as telenovelas brasileiras, assisti na Argentina à Xica da Silva. Lembro que me fascinava a reconstrução de época que o Brasil sabe fazer com muito rigor. Já sobre a Xuxa, como todo argentino da minha geração, ela fez parte da minha infância e tenho um grande carinho por ela.

O que acha da teledramaturgia produzida na Argentina e no Brasil?

Tanto o Brasil quanto a Argentina são países com forte tradição de produção de novelas locais, que muitas vezes acabam sendo exportadas. Ambos têm uma troca muito intensa, com roteiros argentinos produzidos no Brasil, como Chiquititas, Floribella e Carinha de Anjo, por exemplo. Lá, também as novelas brasileiras fazem sucesso. A mais recente foi Avenida Brasil, que ganhou muitos fãs. Já que essa troca é tão intensa, seria interessante que as tramas do Brasil tivessem personagens argentinos e vice-versa. Essa troca seria enriquecedora para os dois países, seus artistas e públicos.

É um gênero que te interessa ou prefere não fazer TV?

Já fiz algumas séries de TV no Brasil e foram experiências enriquecedoras. É sempre interessante para um ator dialogar com públicos diferentes. Existindo personagens na teledramaturgia brasileira que incluam imigrantes, latino-americanos ou mesmo argentinos, seria um prazer interpretá-los. Dessa maneira, poderia dar voz, enquanto ator, à comunidade imigrante que escolheu construir uma vida no Brasil e que enriquece o país com sua cultura, e que ainda é pouco retratada na teledramaturgia. Uma cidade como São Paulo é construída por pessoas do mundo inteiro. Essas histórias também precisam estar nas telas. Muitas produções atuais de sucesso apostaram em elencos pluriétnicos e multiculturais, como é a própria sociedade. Uma produção que incorpora sotaques e diversidades só tem a ganhar, tornando-se cosmopolita para o mercado interno e internacional.

 

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