Prêmio Nobel de Literatura 2026 vai para a escritora canadense Anne Carson
O anúncio foi realizado na manha desta quinta-feira, 8, pela Academia Sueca
A escritora canadense Anne Carson, de 76 anos, venceu o Prêmio Nobel de Literatura 2026 pelo conjunto de sua obra, conforme anunciado pela Academia Sueca nesta quinta-feira, 8. A instituição destacou a ousadia e a criatividade da autora ao dialogar com a tradição clássica e inovar na literatura contemporânea. Considerada uma das maiores honrarias mundiais do setor, a premiação concederá à laureada 12 mil coroas suecas, valor equivalente a cerca de R$ 6,24 milhões na cotação atual.
A escritora canadense Anne Carson, de 76 anos, é a vencedora do Prêmio Nobel de Literatura 2026. O anúncio foi realizado na manha desta quinta-feira, 8, pela Academia Sueca, instituição responsável pelo prêmio.
A autora foi premiada "por sua obra ousada e criativa que, em um diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea."
Considerado uma das maiores honrarias da literatura mundial, o Nobel de Literatura é concedido a um autor pelo conjunto de sua obra. O vencedor leva 12 mil coroas suecas, cerca de R$ 6,24 milhões na cotação atual.
A secretária-geral do Nobel, Ingrid Carlberg, ao anunciar o nome de Anne Carson como a premiada do ano, disse que falou brevemente com a escritora por telefone. A escritora contou que estava na Islândia “ouvindo o vento”. “Ela foi pega de surpresa, mas ficou muito feliz. Pude perceber isso na voz dela”, disse Carlberg.
Trajetória e obra de Anne Carson
Nascida em Toronto, Canadá, em 1950, Anne Carson é escritora, professora e tradutora especialista em literatura clássica grega e helênica. Para o Nobel, ela construiu um trabalho único sendo uma intersecção entre a filologia, o estudo científico e histórico das línguas, e a obsessão do poeta em encontrar novos significados.
Em 1986, publicou Eros, O Doce-Amargo (Bazar do Tempo), uma reelaboração de seu doutorado conquistado em 1981 e seu primeiro livro de crítica literária. A obra é considerada um clássico pela fusão entre ensaio, poeta e teoria ao analisar de forma abrangente as interpretações do amor a partir do mito grego.
Entre 1999 e 2000, Anne publicou livros que colocaram em diálogos gregos e escritores modernos - Simônides de Ceos e Paul Celan em Economy of the Unlost e Tucídides e Virginia Woolf em Men in the Off Hours -, prática que ela viria a repetir em outras obras ao longo da carreira.
Já em O Método Albertine (Edições Jabuticaba) primeiro livro da autora publicado no Brasil, em 2017, a escritora de debruça sobre o clássico Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust e sua obsessão por Albertine, personagem aprisionada pelo narrador no volume A Prisioneira.
O comitê do Nobel entende o estilo da escritora permite a criação de obras “lúdicas e irônicas que transitam não apenas entre a poesia clássica e a moderna, mas também entre diferentes gêneros e formas de arte.”
Já em 1998, a canadense publicou o livro que muitos consideram sua obra-prima, Autobiografia do Vermelho: Um romance em versos (Editora 34), livro que reimagina o mito grego do monstro Gerião.
Em 2025, o romance foi adaptado para o teatro após Bianca Comparato e Daniela Thomas idealizarem o projeto durante a gravação do audiolivro da obra. No espetáculo, que teve dramaturgia de Gabi Costa e direção de Daniela, Bianca interpretou o monstro, um garoto que revela sua alma atormentada desde os cinco anos de idade e lida com o abandono do amante Hércules. A peça teve uma nova temporada em São Paulo neste ano, encerrada em 27 de setembro.
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