Steve Lacy conta como aprendeu a amar os fãs mais 'irritantes': 'Aprendi a curtir com eles'
Em entrevista, o músico de Compton falou sobre como o público mudou após o sucesso de "Bad Habit" — e como as novas gerações o ajudaram a ser mais solto no palco
Steve Lacy admitiu que a explosão de popularidade com Gemini Rights (2022) trouxe um desafio inesperado: um público bem diferente daquele a que estava acostumado. Em entrevista à Apple Music, o músico de Compton contou como reagiu — primeiro com estranheza, depois com abertura — à nova leva de fãs mais jovens que chegou ao seu universo após o sucesso de "Bad Habit".
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"Quando aconteceu, eram muitas crianças. Antes era uma mistura: adolescentes e um clima mais universitário. Aí virou criança mesmo. Gemini Rights me abriu para isso. Eu estava no meu show e pensei: 'Vocês são agitados demais'. No começo, fiquei tipo: 'Ei, ei, ei'. Era como se um monte dos meus priminhozinhos tivesse aparecido. E eu ficava: 'Vocês são tão irritantes'", lembrou.
A reação inicial de Lacy a esse novo público ganhou contornos mais dramáticos em um episódio que viralizou em 2022: durante um show, um fã jogou uma câmera descartável no palco, e o músico quebrou o objeto e encerrou a apresentação mais cedo. "Ei, não joguem merda nenhuma no meu palco, por favor!", disse na ocasião. Depois, em um post no Instagram, Lacy retomou o assunto com mais calma, diferenciando os fãs respeitosos dos problemáticos e reafirmando que não abriria mão do respeito mútuo nos shows.
Com o tempo, porém, a relação se transformou. "Aprendi de verdade a curtir com eles e a amar isso. Amar eles, aprender a linguagem deles e como enxergam as coisas, ao mesmo tempo em que ensino como estar nesse espaço comigo. E, sim, menos sério também. Eles meio que me ensinaram a ser mais de boa com isso. Estou atualizado em tudo, nos memes, em tudo", disse.
Essa abertura ao novo reverbera diretamente em Oh Yeah? (2026), terceiro álbum do músico, lançado em julho, o mais confessional de sua carreira. Depois de quatro anos de silêncio, Lacy trocou o distanciamento irônico de trabalhos anteriores por uma confissão quase sem filtro sobre relacionamentos, sexualidade e a ansiedade de ser amado de volta. O álbum traz colaborações com SZA, Erykah Badu e Cecile Believe, em uma produção que transita entre pop energético, batidas lentas, funk e psicodelia sem que a costura pareça forçada. A influência absorvida dos fãs mais jovens — a fluidez, o humor, a disposição para soar contraditório — aparece nas próprias costuras do disco.
Com Oh Yeah? no mundo e uma trajetória que vai de Apollo XXI a Gemini Rights, Steve Lacy consolida uma progressão rara: cada álbum aprofunda o anterior sem repeti-lo. O músico que um dia achou seus novos fãs irritantes aprendeu com eles a ser mais fluido — e transformou essa lição em uma das matérias-primas do disco mais revelador que já fez.
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