Larissa Luz resgata raízes rock em novo álbum, usa tecnologia como aliada e celebra Rock in Rio (ENTREVISTA)
Uma das vozes mais potentes e viscerais da música brasileira contemporânea está prestes a implodir as próprias engrenagens para se reconstruir diante do público. Larissa Luz está de volta com seu novo álbum, "Desmonte", um projeto que marca seu retorno definitivo às raízes do rock underground. O projeto é embalado por uma estética distópica e […] O post Larissa Luz resgata raízes rock em novo álbum, usa tecnologia como aliada e celebra Rock in Rio (ENTREVISTA) apareceu primeiro em POPline.
Uma das vozes mais potentes e viscerais da música brasileira contemporânea está prestes a implodir as próprias engrenagens para se reconstruir diante do público. Larissa Luz está de volta com seu novo álbum, "Desmonte", um projeto que marca seu retorno definitivo às raízes do rock underground. O projeto é embalado por uma estética distópica e pelo uso inteligente da tecnologia para viabilizar suas ideias visuais.
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Como se o barulho em torno do novo trabalho não bastasse, a artista confirmou que levará o aclamado projeto "Rock in Gil" para o palco do Rock in Rio, justamente no Dia do Rock. Uma desconstrução fina e necessária comandada pela curadoria de Zé Ricardo. Em entrevista exclusiva, Larissa detalha o processo de autoanálise que originou o disco, revela como utiliza a IA dentro de seu próprio "código de ética" e confessa o desejo que ficou engasgado ao descobrir o trabalho de MC Taya "tarde demais".
O retorno ao rock visceral e o conceito de "Desmonte"
Para quem acompanha a trajetória pop e eletrônica recente de Larissa Luz, a forte estética rock de "Desmonte" pode parecer uma guinada inesperada. No entanto, a artista revela que esse universo sempre foi sua casa.
"Sempre fui do rock. O começo da minha história foi em uma banda de rock só de meninas na adolescência. Eu curtia a Incoma, banda da Pitty, e andava pelos bares do Rio Vermelho, onde pulsava a cena soteropolitana", relembra.
O novo álbum nasceu de uma necessidade profunda de olhar para trás e resgatar a Larissa do grêmio estudantil, que ia para as manifestações com coragem para enfrentar tudo. "Com a vida, a gente vai se adequando e perdendo coisas. O conceito de 'Desmonte' é quase um: 'vamos abrir essa máquina aqui e ver o que está acontecendo?'. Fui fazer essa autoanálise e me deparei com o momento em que encontrei o rock."
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Estética "Mad Max" e a tecnologia como aliada da arte independente
A identidade visual de "Desmonte" traz uma atmosfera pós-apocalíptica gritante, inspirada diretamente em "Mad Max: Estrada da Fúria" e no surrealismo. As fotos e vídeos foram gravados em uma oficina mecânica real, cercada por carcaças de trios elétricos quebrados na Bahia. Foi nesse cenário que Larissa encontrou a brecha para usar a tecnologia a seu favor, superando as limitações financeiras da cena independente.
A artista não esconde que utilizou Inteligência Artificial em detalhes do audiovisual do projeto, mas faz questão de demarcar seu código de ética pessoal, deixando claro que a tecnologia entrou para somar, e não para substituir a criatividade humana:
"Eu não gosto da substituição completa. Gosto de trabalhar de maneira híbrida. Usei o recurso para realizar coisas que eu não conseguiria de hipótese alguma por limites orçamentários, como colocar um guindaste suspendendo um trio elétrico. Mas gravamos tudo com fotógrafo, equipe de audiovisual, elenco e coreógrafos humanos. Se você só jogar um prompt e achar que a mágica acontece, fica medíocre, fica bobo."
Larissa compara a crise atual da IA com a Revolução Industrial ou a chegada da filmadora no passado. "O humano nunca vai sair da equação", crava.
Parcerias, o "quase-feat" com MC Taya e o underground
Ao contrário de focar em números e métricas de engajamento, Larissa escolheu os feats de "Desmonte" por afinidade artística e atitude, trazendo nomes como Áurea Semiseria e Zé Atunbí (ex-Afrocidade).
Durante a entrevista, a cantora revelou uma ponta de frustração por não ter conhecido o trabalho de MC Taya a tempo de incluí-la no disco físico. Já que a artista, um dos nomes mais comentados na renovação e diversidade do rock nacional, era a peça perfeita.
"Eu conheci o trabalho dela depois que já tinha terminado o disco. Falei: 'Nossa, não acredito, ela era perfeita!'. Fiquei super sentida. Perguntei se não dava para abrir a margem de novo, mas com o vinil já não dava. Mas vamos chamar ela para um show com certeza, para fazer um feat futuro."
Analisando o mercado atual, onde muitos questionam se "o rock morreu", Larissa é cirúrgica:
"Acho que as guitarras foram saindo das rádios porque houve uma visão de que as pessoas no trânsito, estressadas, não queriam ouvir barulho. O pop ficou mais flat, mais limpo. O rock virou o marginal, a margem. Mas a gente está aí para mexer mesmo, para desconstruir."
Sem dar regras de como o público deve consumir "Desmonte", Larissa encerra com um chamado para quem está cansado da apatia do mercado.
"Meu único desejo é que as pessoas escutem e se abram. Trato o disco como um convite ao movimento. Quem se identificar, entra para o grupo do desmonte e vamos pensar na revolução."
Duas turnês paralelas e a estreia no Rock in Rio
Os próximos meses serão intensos. Enquanto Larissa planeja estrear a turnê de "Desmonte" em julho, ela precisará conciliar a agenda com o projeto Rock in Gil, já que estará no Rock in Rio em setembro. O show no festival trará o repertório que homenageia Gilberto Gil com roupagem rock, mas com bônus e o frescor do novo álbum.
"O Rock in Rio é um festival que temos como referência. Estar inserida no Dia do Rock com o rock baiano, trazendo uma figura como o Gil dentro desse lugar, já é uma desconstrução massa", comemora a artista, elogiando a sensibilidade de Zé Ricardo na curadoria. "Provavelmente vamos cantar alguma coisa do disco novo lá, já que estará no mundo."
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