Script = https://s1.trrsf.com/update-1786557910/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

O novo álbum de Prince não faz jus à sua lenda

'Timeless', um apanhado de material de arquivo que atravessa décadas, soa sem graça. E nem chega a ser tão interessante assim como coleção de sobras

31 ago 2026 - 17h07
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
"Timeless", nova coletânea de sobras de estúdio de Prince gravadas entre 1977 e 2016, falha em honrar o legado do astro pop. Montado de forma descuidada e sem coesão temática, o álbum carece do dinamismo e da inventividade que consagraram suas obras clássicas. Ao reunir faixas descartáveis e demos pouco inspiradas, o projeto resulta em um trabalho plano e desprovido de brilho, incapaz de justificar a grandiosidade e a importância histórica do artista.
📊 Fofoca Awards: vote nos seus favoritos

Por que Prince foi o popstar definitivo? Deixando de lado a persona extravagante, a iconografia chamativa e os shows ao vivo eletrizantes, sua inquietação e seu senso lúdico na música geraram álbuns que eram — e continuam sendo — audições obrigatórias. Ele ampliou ou subverteu o que vinha antes, tanto dele quanto de todo mundo. Os álbuns de Prince faziam suas faixas dialogarem entre si de um jeito parecido com a forma como os próprios arranjos dessas músicas funcionavam: padrões "mola", com uma leveza inesgotável. Um álbum deveria ser uma experiência dinâmica — e poucos demonstraram isso com o talento de Prince.

O cantor Prince em 1988
O cantor Prince em 1988
Foto: Raymond Boyd / Getty Images / Rolling Stone Brasil

🎧 Do universo de fã ao universo da música: tudo que você ama em um só lugar. Siga @terrasonora

Quase não há dinamismo nem brilho em Timeless, uma nova coletânea de sobras antigas que parece ter sido montada às pressas em uns 15 minutos. Ela é simplesmente chapada, como uma água com gás esquecida ao sol. Organizada em ordem cronológica, de uma demo de estúdio de 1977 a uma versão ao vivo de 2016 de um lado B querido, o conjunto nem chega a ganhar alguma coesão. Em vez de apresentar caminhos alternativos fascinantes e pistas do que poderia ter sido, Timeless nem sequer é interessante como coleção de outtakes.

Por que essas músicas, você pode se perguntar? Ouvindo Timeless, a única resposta concebível parece ser: "Por que não?". As melhores faixas são um par de rockzinhos descartáveis: "The Guilty Ones", de 2007 (uma "rasgada" de guitarra maravilhosa), e a versão original, trêmula e new wave, de "Tick Tick Bang", de 1981 — que apareceria em Graffiti Bridge em 1990, enfeitada com synths tortos e drum machine. Juntas, elas soam como sementes de uma coletânea tematicamente coerente que alguém deveria fazer.

Mas mesmo aí é preciso se concentrar, porque, se você não fizer isso, a música basicamente evapora. A versão ao vivo em Oakland de "How Come U Don't Call Me Anymore", da turnê final, parece jogada ali, não como uma virada intencional; a faixa de abertura, "I Am You", na maior parte do tempo faz você desejar estar ouvindo "The Walk", do The Time — que realinha o groove da demo de 1977 com impulso e potência, como um calhambeque transformado em um carro de passeio. Claro, é historicamente interessante que o Prince-rapper-mal-ideado ainda estivesse fazendo aquela cadência meio "skip-to-my-Lou" em 2003, o ano em que gravou "Calabama", mas, assim que ele canta "NPG cutting up a rug", qualquer fiapo de esperança pode ser abandonado de vez.

Por que Prince foi o popstar definitivo? Aqui há pouquíssimas pistas de resposta. Se alguém dissesse que ele foi — e então tocasse Timeless como prova — você nunca mais ouviria Prince (nem essa pessoa) de novo.

📊 Fofoca Awards: vote nos seus favoritos
Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra