Nem toda visibilidade digital gera notoriedade no entretenimento, diz CEO
Roberta Nuñez, da RN Assessoria Imprensa, aponta falhas no mercado de assessoria de imprensa e diz que notoriedade depende de estratégia, validação e presença real na mídia
Nunca foi tão fácil aparecer. Redes sociais, plataformas de conteúdo e serviços de divulgação tornaram a visibilidade acessível a praticamente qualquer profissional como tem sido observado em áreas com a do entretenimento. Ainda assim, a construção de autoridade segue sendo um dos maiores desafios e, segundo especialistas, é justamente aí que mora o principal erro.
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A confusão entre exposição e notoriedade tem levado empresas, médicos e influenciadores a investir em volume de publicações, sem necessariamente construir credibilidade. Para Roberta Nuñez, CEO da RN Assessoria Imprensa, o problema está na forma como a assessoria de imprensa passou a ser oferecida no mercado.
"O erro mais comum hoje é investir em quantidade. A pessoa aparece, mas isso não significa que ela construiu autoridade. Notoriedade não é volume, é posicionamento", afirma.
Segundo ela, muitos modelos atuais priorizam escala e rapidez, mas deixam de lado o que sustenta a reputação no longo prazo: critério editorial, narrativa e validação dos veículos.
"Assessoria de imprensa não é disparo de e-mails. É estratégia. Existe uma construção por trás. Entender o que é pauta, o que tem relevância pública e como isso chega na imprensa. Sem isso, a exposição não se sustenta", explica.
Outro ponto central é o acesso real à mídia. A presença em portais, emissoras e editorias especializadas não acontece de forma automática, mas a partir de relacionamento com jornalistas e entendimento do funcionamento das redações.
"Esse contato não acontece por plataforma. Ele é construído ao longo dos anos. É isso que garante que o conteúdo tenha espaço e seja tratado como informação jornalística, não como material promocional", diz.
A discussão ganha peso diante de um movimento crescente no mercado. A oferta de conteúdos que simulam veículos de prestígio. Em alguns casos, profissionais acreditam estar sendo publicados em grandes portais internacionais, quando, na prática, não há validação editorial.
"O barato sai caro. Não adianta ter volume de publicações sem estratégia. Isso não constrói reputação e pode, inclusive, desgastar a imagem do profissional", alerta.
Além da percepção pública, a construção de autoridade hoje passa diretamente pelo ambiente digital. A presença em conteúdos jornalísticos indexados influencia como um nome aparece em mecanismos de busca.
Estar na aba de notícias do Google, por exemplo, indica que aquele profissional foi citado em veículos com critérios editoriais, um fator que impacta diretamente a credibilidade. Esse cenário se conecta ao avanço das ferramentas de inteligência artificial. Plataformas como o ChatGPT utilizam informações públicas disponíveis na internet para gerar respostas.
"Se não existem matérias jornalísticas reais, não existe base de validação. A inteligência artificial usa o que está publicado. Sem conteúdo relevante, não há sustentação de autoridade", afirma.
Na contramão dos modelos massificados, a RN Assessoria Imprensa atua com uma equipe de 38 jornalistas e aposta em um processo individualizado, com desenvolvimento de narrativa e posicionamento estratégico para cada cliente.
Segundo Roberta Nuñez, notoriedade não é resultado de exposição pontual, mas de consistência. "Autoridade não acontece por acaso. É construção, estratégia, relacionamento e credibilidade. A visibilidade pode ser imediata, mas a notoriedade leva tempo", finaliza.
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