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Terra Celta transforma a estrada em música e celebra relações duradouras em novo single

Com 21 anos de carreira, banda lança "Pé na Estrada", inspirado na história dos pais do vocalista, e fala sobre reinvenção, longevidade e os desafios de fazer música no Brasil

8 out 2026 - 14h22
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Resumo
Com mais de 20 anos de carreira e cinco passagens pelo Rock in Rio, a banda Terra Celta lançou o single "Pé na Estrada". Inspirada nas viagens de motorhome dos pais do vocalista, a faixa celebra relações duradouras e o envelhecer a dois. Produzida em parceria com o norte-americano Eric Silver, a obra moderniza a identidade folk celta do grupo ao incorporar referências do pop e folk contemporâneos, contrapondo o imediatismo do mercado atual com uma reflexão sobre longevidade e afeto.
Terra Celta transforma a estrada em música e celebra relações duradouras em novo single
Terra Celta transforma a estrada em música e celebra relações duradouras em novo single
Foto: The Music Journal

Há mais de duas décadas, o Terra Celta constrói uma trajetória que desafia rótulos e combina música celta, folk rock e elementos da cultura brasileira. Agora, a banda transforma a experiência de uma relação duradoura em inspiração para "Pé na Estrada", single que nasceu das viagens dos pais do vocalista em um motorhome e celebra a ideia de envelhecer ao lado de quem se ama, sem deixar de descobrir novos caminhos.

A canção também marca um encontro importante com o produtor norte-americano Eric Silver, profissional ligado a Nashville e que já trabalhou com nomes como Shania Twain, Dolly Parton e Keith Urban. Na faixa, ele ajudou a reorganizar os arranjos e a adaptar a música para uma sonoridade que dialoga com referências como Mumford & Sons, The Lumineers, Shaboozey e Avicii, sem afastar o Terra Celta de sua identidade.

Com cinco participações no Rock in Rio, incluindo edições em Lisboa e Las Vegas, a banda também chega a este novo momento com a experiência de quem precisou se reinventar diversas vezes para permanecer na estrada. Em entrevista ao Terra, o grupo fala sobre longevidade, humor nos shows, mudanças no mercado musical, relações afetivas e os próximos passos de uma carreira que, segundo eles, continua sendo movida pelo prazer de fazer música.

"Pé na Estrada" transforma a experiência de uma relação duradoura em uma história de movimento.

Essa música foi inspirada na minha família. Meus pais viajavam muito de motorhome, e existe uma comunidade enorme de pessoas que aproveitam a aposentadoria dessa maneira.

Depois de 21 anos de trajetória, o que significa para o Terra Celta continuar encontrando novos caminhos musicais sem perder a identidade construída ao longo desse período?

Significa vitória! Em um país com sua cultura e seu ensino musical tão menosprezados e que, de uns anos para cá, de certa forma ficou "fechado" a novos caminhos, principalmente aqueles que celebram uma herança europeia, ter construído essa trajetória é algo para se comemorar.

A banda já passou por cinco edições do Rock in Rio, incluindo Lisboa e Las Vegas.

Ensinaram que podemos nos adaptar a diferentes situações, e isso tem sido sine qua non para que estejamos na ativa. Tivemos que criar vários formatos de show, diferentes abordagens de público, repertórios alternativos...

A estrada aparece tanto na letra quanto na própria história do Terra Celta.

A estrada é a nossa vida. É como construímos e mantemos o nosso trabalho.

Eric Silver traz uma forte ligação com Nashville e uma experiência ao lado de artistas como Shania Twain, Dolly Parton e Keith Urban.

Bom, acho que a mesma coisa que acrescentou ao trabalho desses artistas citados: experiência, excelência e um olhar diferenciado, mais conectado com a nossa proposta. O Eric rearranjou a música, trabalhamos juntos na adaptação da letra para um formato melhor, e ele sabe como fazer um violino soar na linguagem certa!

"Pé na Estrada" preserva elementos de música celta e folk rock, mas também dialoga com referências contemporâneas como Mumford & Sons, The Lumineers, Shaboozey e Avicii.

Nós buscamos sempre diferenciar nosso trabalho, adotando linguagens mais modernas que preservem nossa essência. Quando fiz a música e estávamos trabalhando nos arranjos antes do Eric, buscamos essas referências — Mumford & Sons, Avicii etc. Quando o Eric ouviu a música, disse que iria para um lado parecido com os mesmos artistas que tínhamos em mente.

O Terra Celta é conhecido por shows muito energéticos e também pelo humor.

O humor se dá muito mais na abordagem com o público. Isso é técnica de oratória, que desenvolvi ao longo do tempo, e a ironia é a chave. Veja: quanto mais triste a canção, mais engraçada vai ser a introdução, porque isso desperta a surpresa no público. Caso contrário, é "chover no molhado".

Por isso temos músicas que falam de ecologia, relacionamentos, questões sociais, só que o introito de todas elas é leve.

A letra fala sobre duas pessoas que continuam se descobrindo mesmo depois de anos juntas.

O amor, o perdão e o respeito.

Em um cenário musical dominado por lançamentos cada vez mais rápidos, vocês optaram por uma canção que fala justamente sobre permanência e construção.

Meu amigo, a gente é uma banda que mescla música europeia no nosso trabalho. Somos uns tiozões que, por coincidência, não têm ninguém com tatuagem, risos, cantando em português. Nossa música mais curta tem cinco minutos, temos violino, flauta, gaita de fole e uma nyckelharpa na nossa instrumentação, e quase metade do show é instrumental... A gente é, basicamente, a encarnação do "contraponto ao comportamento atual"!

Sobre a música... Sim. Nas músicas atuais, celebra-se uma frivolidade nos relacionamentos, relações vazias, sem comprometimento. Não tem trilha sonora para quem opta por não viver esse drama...

Se "Pé na Estrada" representa um novo capítulo, que novidades o público pode esperar do Terra Celta daqui para frente?

Teremos algumas mudanças no formato dos shows. Temos observado o setor de bares, pubs e casas noturnas sofrer muito com aspectos econômicos e comportamentais do país.

Depois de mais de duas décadas de carreira, o que ainda faz vocês terem vontade de colocar o pé na estrada?

Tem que amar fazer isso. O Oswaldo Montenegro diz que você só deve ser artista se não conseguir respirar sem fazer arte. É isso...

The Music Journal The Music Journal Brazil
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