Leandro Serizo lança álbum futurista e dispara: "Não criei para o algoritmo" (ENTREVISTA)
O impacto do colapso ambiental e a apatia da sociedade contemporânea são o ponto de partida de "SOL QUIMÉRICO", álbum conceitual do cantor e compositor Leandro Serizo, que chega às plataformas digitais neste dia 30 de julho, via selo Vinte7 Records. A semente do projeto nasceu quando o artista presenciou o céu de São Paulo escurecer […] O post Leandro Serizo lança álbum futurista e dispara: "Não criei para o algoritmo" (ENTREVISTA) apareceu primeiro em POPline.
O impacto do colapso ambiental e a apatia da sociedade contemporânea são o ponto de partida de "SOL QUIMÉRICO", álbum conceitual do cantor e compositor Leandro Serizo, que chega às plataformas digitais neste dia 30 de julho, via selo Vinte7 Records. A semente do projeto nasceu quando o artista presenciou o céu de São Paulo escurecer em pleno dia devido às queimadas no país. Diante da cena, Serizo se fez a pergunta que guiou todo o trabalho: "Ainda veremos um sol?".
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PRÉ-ESTREIA EXCLUSIVA: Ouça o álbum "SOL QUIMÉRICO" na íntegra no player abaixo (via SoundCloud) antes do lançamento oficial.
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Leandro Serizo·
SOL QUIMÉRICOAtravessando a fronteira entre a denúncia social e a ficção científica, o trabalho se recusa a ser formatado pelas métricas de consumo rápido da indústria fonográfica. Nas 13 faixas que compõem a obra, Serizo articula uma sonoridade densa que passeia pelo rock progressivo, metal, MPB, R&B e elementos tradicionais da música afro-latina e do mediterrâneo oriental.
Ao comentar o desafio de lançar um projeto de alta complexidade em um mercado dominado por faixas curtas, o músico é categórico sobre suas escolhas criativas.
"Medo eu tive. Mas tive muito mais medo de olhar para trás e perceber que tinha diminuído o disco para caber numa lógica de mercado. Preferi criar uma obra que me dê orgulho daqui a vinte anos do que um projeto moldado para agradar um algoritmo que muda toda semana." — Leandro Serizo
Como a ficção científica do álbum de Leandro Serizo espelha o Brasil atual?
Concebido como uma narrativa transmídia, "SOL QUIMÉRICO" transporta o ouvinte para a colossal metrópole de MΣGΛPΘLIS no ano de 2222. Na trama distópica criada por Serizo, o império alienígena do Ciborgue Tyrannus mantém a população em um estado constante de anestesia por meio de uma música robótica reproduzida em loop interminável - eliminando a capacidade humana de sonhar e imaginar.
Às margens desse sistema opressor, no entanto, resiste o Abutre Estrelar. O território é habitado pelos Abutrons, seres híbridos lançados ao lixo da história que constroem uma identidade própria centrada no culto ao Sol Quimérico - entidade que simboliza a libertação do desejo domesticado e a recusa às normas impostas pela máquina imperial. Segundo o autor, a ambientação no século XXIII funciona, na verdade, como um espelho para os dilemas da sociedade atual.
"Construí esse futuro para falar do presente: do colapso ambiental, da robotização da vida, das guerras e da nossa relação cada vez mais fragmentada com o mundo. O disco denuncia uma distopia, mas sua missão é outra: evocar transe e reencantamento como método político", pontua o artista.
Do lirismo de Chico Buarque ao peso do System of a Down
A arquitetura sonora de "SOL QUIMÉRICO" reflete a bagagem de pesquisa de Leandro Serizo ao longo dos últimos anos. Com produção assinada por Quico Dramma e Granadeiro Guimarães (este último responsável também pela mixagem) e masterização de Otávio Vassão, a obra apoia-se em construções rítmicas complexas, polirritmias e trocas constantes de andamento.
Entre as principais influências do trabalho está o pianista de jazz armênio Tigran Hamasyan, citado por Serizo como a bússola para equilibrar sofisticação e agressividade. No entanto, o ecletismo do disco expande-se por referências de peso na cultura pop e na MPB:
Chico Buarque: A linguagem satírica e teatral do álbum clássico "Construção" serviu de inspiração para os arranjos de metais e para o uso de metáforas como ferramenta de resistência.
Lady Gaga: A estética dark e a atitude performática do disco "Born This Way" influenciaram a abordagem pop e politicamente posicionada da obra.
System of a Down e Iron Maiden: O senso de urgência, a crítica social sarcástica e a grandiosidade da narrativa épica do heavy metal atravessam faixas centrais do projeto.
A música como abrigo e o resgate da experiência humana
Apesar da densidade política e futurista, "SOL QUIMÉRICO" reserva momentos de profunda intimidade e afeto. É o caso da faixa "SANTUÁRIO", fruto de uma parceria com o cantor Valentim Frateschi. A canção foi composta originalmente como uma homenagem à mãe de Serizo, que se divide entre a rotina de empregada doméstica e cuidadora.
"Sempre me vinha a imagem dela nos ônibus, indo trabalhar, e queria que a música fosse um conforto em meio às dificuldades da vida", relembra o compositor. Na economia do álbum, a faixa funciona como um respiro e um ponto de recolhimento de forças para os personagens e para o ouvinte.
Como educador musical, Serizo enxerga na audição atenta de um álbum completo um ato de desaceleração necessário diante da hiperconexão digital.
"Acompanho de perto o impacto que o excesso de telas tem sobre crianças e adolescentes, não apenas na atenção, mas na forma como construímos nossa relação com o tempo. Fazer um disco que pede para ser ouvido do começo ao fim acabou sendo também um posicionamento artístico. Cresci sendo transformado por discos-conceito; sentar para ouvir um álbum era como entrar num filme." — Leandro Serizo
Desdobramentos cênicos e o futuro da saga transmídia de Leandro Serizo
Gravado entre agosto de 2025 e maio de 2026 na cidade de Campinas/SP, o lançamento do álbum, no entanto, é apenas a porta de entrada para um universo que continuará se expandindo em outras linguagens. A equipe do projeto já trabalha na criação de um livro de contos e quadrinhos em parceria com artistas visuais e escritores, além da produção de um espetáculo cênico intitulado "O Grande Sol Quimérico", que integrará dança e performance ao vivo.
As primeiras apresentações do novo repertório de Leandro Serizo já têm data marcada. O show de estreia acontece no dia 19 de agosto, na Gamba Cultural, em Campinas, seguido por uma apresentação em São Paulo no final de setembro. "Para mim, a alma do rock não é um gênero, é uma atitude. Meu desejo é que, daqui a alguns anos, as pessoas olhem para 'SOL QUIMÉRICO' e percebam que ele nunca foi apenas um disco, mas o primeiro portal de uma história muito maior", conclui o artista.
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