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Karol G faz da turnê 'Viajando Por El Mundo Tropitour' uma celebração ousada e vibrante do poder latino

A superestrela colombiana abriu sua turnê de estádios em Chicago com um espetáculo grandioso, de quase três horas de duração, que exaltou com orgulho suas raízes

26 jul 2026 - 12h43
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Há muitos artistas vivendo uma fase que poderia facilmente ser considerada excelente.

Karol G
Karol G
Foto: Kevin Mazur/Getty Images for Coachella / Rolling Stone Brasil

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E então existe Karol G, que deu início à sua mais recente turnê de estádios, Viajando Por El Mundo Tropitour, com a primeira de duas noites esgotadas no Soldier Field, em Chicago, na sexta, 25. Solte os quadris, prepare os fogos de artifício, os efeitos de pirotecnia e a enorme arara. Sim, ela realmente canta montada em uma delas.

A cantora colombiana vem redefinindo seus próprios limites desde que venceu o prêmio de Artista Revelação no Grammy Latino 2018. Quase uma década após o início da carreira, fez história repetidas vezes: tornou-se a primeira artista latina a alcançar diversos marcos inéditos no pop, desde liderar a Billboard 200 com um álbum majoritariamente em espanhol até ser atração principal do Coachella, além de conquistar 11 recordes do Guinness por seus números de streaming, vendas de ingressos e outros feitos.

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Nos últimos cinco anos, ela comandou uma sequência de turnês internacionais como headliner — todas preparando o terreno para esta, sua maior e mais intencional empreitada até agora. O show de estreia no Soldier Field deu início a uma jornada por 63 estádios na América do Norte, América Latina e Europa, que seguirá até meados de 2027.

Durante pouco menos de duas horas e meia, após a apresentação de abertura de Elena Rose, Karol e seu grupo de mais de 20 dançarinos entregaram um espetáculo ambicioso, emocionante e repleto de orgulho. O palco gigantesco foi transformado em uma representação das montanhas e da floresta colombianas, ampliando a proposta visual que já havia impressionado no Coachella. O cenário, estruturado como um clube instalado em uma caverna de múltiplos níveis, ganhou vida ao longo de quatro atos que contavam a história de uma mulher renascida, guiada em sua jornada de autodescoberta pelos ancestrais e pela própria terra.

O Soldier Field foi tomado pelas cores do pôr do sol: laranjas vibrantes, rosas intensos, dourados cintilantes e enormes estampas florais. Reunindo fãs de diferentes gerações e de toda a diáspora latino-americana, o público apareceu pronto para dançar — aparentemente sem considerar qualquer salto alto alto demais para a ocasião ou para a longa caminhada pelo Museum Campus — e vestindo desde bandeiras de seus países transformadas em saias até recriações dos famosos óculos com penas usados pela artista, criados por Chrishabana.

Mais do que uma celebração da influência de Karol, o show foi uma homenagem à cultura que une milhões de pessoas. Ela abriu a apresentação com "Latina Foreva", em uma declaração contundente sobre o espírito da noite, antes de seguir com sucessos como "Un Gatito Me Llamó", "Qlona" e "El Makinon". Parecia quase irônico que a turnê começasse justamente na semana em que congressistas dos Estados Unidos discutiam o significado da expressão "poder latino" em uma subcomissão da Câmara. Se alguém precisava de uma aula sobre o tema, Karol estava mais do que preparada para oferecê-la.

O segundo ato foi introduzido por um vídeo com o renomado ator mexicano-americano Edward James Olmos. Tanto ele quanto Karol falaram apaixonadamente sobre a importância da família, dos amigos, do trabalho, dos rituais e da alegria. Mais tarde, um grupo formado exclusivamente por mulheres mariachis participou de diversas músicas, incluindo a tradicional "Negrita de Mis Pesares", além dos sucessos "Ese Hombre Es Malo", "Mamiii" — transformada em um fenômeno mundial ao lado de Becky G — e "200 Copas". Houve também momentos marcantes de interação com o público, como quando um casal recebeu de presente ingressos para outro show de Karol, em Paris, para celebrar a lua de mel. Uma coisa ficou evidente: ser uma tropicoqueta é algo que vem de dentro.

É verdade que algumas transições entre os atos pareceram um pouco desajeitadas. Em determinado momento, parte do público chegou a pensar que a energia havia acabado. Mas o breve silêncio logo deu lugar às congas, metais e flautas de madeira executados por uma banda ao vivo que parecia crescer a cada música, enquanto interpretava cumbias e porros. Enquanto os dançarinos se contorciam em uma longa sequência coreográfica sobre um palco secundário disfarçado de lagoa — aviso aos portadores de ingresso: existe, sim, uma área sujeita a respingos — e um DJ tocava outros sucessos, como "A Ella" e "Provenza", Karol se preparava para o ato final.

Vestida dos pés à cabeça com orquídeas cravejadas de pedras brilhantes, ela voltou a agradecer ao público. "Ser latino é a coisa mais incrível do mundo", disse em espanhol, sob aplausos ensurdecedores, antes de acrescentar que a vida, na verdade, é feita das coisas simples.

Ela ainda exibiu um desempenho vocal surpreendente em "Si Antes Te Hubiera Conocido" e "Viajando Por El Mundo", conduzindo o espetáculo ao encerramento. Enquanto os dançarinos cruzavam o palco carregando pipas e bandeiras de todos os países das Américas, canhões lançavam confetes sobre a plateia. No fim da apresentação, Karol estreou seu novo single, "Matadora".

Confiante, forte, sensual, segura e cheia de coração, Karol mostrou que ser uma bichota e uma tropicoqueta deixou de ser apenas uma identidade para se tornar um movimento global. Encontre sua própria arara e embarque nessa jornada.

Set List:

  1. "Latina Foreva"
  2. "Un gatito me llamo"
  3. "Oki Doki"
  4. "Ta Ok"
  5. "QLONA"
  6. "El Makinon"
  7. "S91"
  8. "Tropicoqueta"
  9. "Papasito"
  10. "Ese hombre es Malo" (Mariachi also performed "Negrita de mis Pesares" and "El son de la negra")
  11. "200 Copas"
  12. "Mamiii"
  13. "Ivonny bonita"
  14. "Pineapple"
  15. "Gatubela" (interpolated with "Rompe")
  16. "Amargura"
  17. "Tu perfume"
  18. "Dile Luna"
  19. "Bandida Entrenada"
  20. "Ojos Ferrari"
  21. "TQG"
  22. "Bichota" (Salsa version)
  23. "Tusa" (Salsa version)
  24. "Milagros"
  25. "Coleccionando Heridas"
  26. "Si Antes Te Hubiera Conocido"
  27. "Viajando Por El Mundo"
Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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