Script = https://s1.trrsf.com/update-1786557910/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

Como o show de Jay-Z no Carnaval de Notting Hill antecipou o futuro do hip hop

Um olhar para agosto de 1997, quando Jay-Z se apresentou em uma programação inédita em Notting Hill que mostrou ao público britânico o futuro do hip hop em uma única tarde

31 ago 2026 - 16h49
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
Em agosto de 1997, a histórica apresentação de Jay-Z no palco de Tim Westwood no Carnaval de Notting Hill marcou um momento crucial para o hip hop em Londres. Aos 27 anos e em ascensão internacional, o rapper dividiu um line-up estelar raro para a época. O festival serviu como termômetro da transição sonora do artista, que, quase três décadas depois, retorna à capital britânica consagrado para shows em estádios, reforçando a relevância do Carnaval na cultura negra e na música global.
📊 Fofoca Awards: vote nos seus favoritos

Por volta das 17h19 da última segunda-feira de agosto de 1997, Dillon Moulder se lembra do momento em que tirou uma foto que ficou mais interessante com o passar do tempo. Ele estava embaixo, em um espaço social fora da Thorpe Close, em Ladbroke Grove. Ali perto, sob a Westway, Jay-Z estava prestes a subir ao palco do Carnaval de Notting Hill.

Jay
Jay
Foto: Z ( Andrew Lepley/Redferns) / Rolling Stone Brasil

🎧 Do universo de fã ao universo da música: tudo que você ama em um só lugar. Siga @terrasonora

Moulder nem estava lá como fotógrafo. "Eu era A&R naquela época", diz. Ele trabalhava para uma gravadora independente baseada em Ladbroke Grove, e um de seus artistas, o rapper britânico Mr45, havia sido convidado para se apresentar no palco de Tim Westwood na Radio 1. Moulder passou o dia todo por lá, conversando com artistas e gente de gravadoras, e chegou a falar rapidamente com Damon Dash e Jay. Ele só aconteceu de estar com a câmera.

"Eu estava exatamente no lugar certo, na hora certa", diz Moulder. "Jay-Z entrou no palco por volta das 17h20. Então essa foto provavelmente foi tirada por volta das 17h19."

Em qualquer medida, o lineup daquele dia era insano: Jay-Z, Busta Rhymes, Rampage, Common, Lil' Kim, The LOX, Beenie Man, EPMD, além de uma coleção de artistas britânicos e jamaicanos — todo mundo passando pelo mesmo pedaço do oeste de Londres.

"Você já se dava por sorte se conseguisse ver um artista de hip hop, talvez, a cada trimestre ou a cada seis meses", lembra Moulder. "Ter tantos artistas dos EUA no mesmo palco, no mesmo dia, foi algo sem precedentes."

Jay tinha 27 anos, um ano depois de Reasonable Doubt e ainda a alguns meses de In My Lifetime, Vol. 1. Na Grã-Bretanha, seu perfil vinha crescendo de forma constante. Reasonable Doubt havia sido licenciado para lançamento por um selo do Reino Unido, e Moulder se lembra de Jay abrindo para os Fugees na Wembley Arena naquele mês de maio. Em julho, Jay apareceu na capa da revista britânica de rap Hip Hop Connection.

"As pessoas conheciam as músicas, conheciam os clipes, mas não tinham visto ele se apresentar", diz Moulder. No Carnaval, "o burburinho estava crescendo".

Jay também estava em um lugar curioso musicalmente. Reasonable Doubt o tinha estabelecido entre ouvintes que ainda pensavam em termos de "hip hop de verdade", como Moulder coloca. As músicas que chegavam antes de In My Lifetime eram mais brilhantes, mais próximas do som da Bad Boy que dominava Nova York na época. "Acho que havia uma certa desconfiança sobre para onde o Jay ia", diz ele. "Mas não o bastante para as pessoas perderem o interesse. Só estava despertando curiosidade sobre qual direção ele tomaria."

O show no Carnaval o pegou exatamente nesse ponto. Moulder lembra de Jay abrindo com "Ain't No…", depois fazendo "Who You Wit", que já tocava em clubes e rádios no Reino Unido. Ele apresentou "Sunshine" e "Streets Is Watching", ambas do álbum que estava por vir, e rimou os versos de "Imaginary Player" sobre "The Rain", de Missy Elliott.

"Provavelmente foi, talvez, globalmente a primeira vez que aquele verso foi ouvido", diz Moulder, enfatizando o "talvez". Duas noites antes, Jay havia participado do programa nacional de Westwood na Radio 1, aumentando a expectativa. "As pessoas estavam prontas para aquela segunda-feira, sem nenhuma dúvida."

Westwood é uma parte inevitável dessa história. Em 1997, ele era o principal DJ de hip hop da Radio 1, e seu palco no Carnaval havia virado um destino importante para fãs de rap. Desde então, ele foi acusado de 15 crimes sexuais envolvendo sete mulheres, incluindo quatro acusações de estupro, e se declarou inocente em todas. O julgamento está previsto para começar no ano que vem.

Para os propósitos daquele dia em 1997, o papel dele é simples. O artista de Moulder estava lá porque Westwood o chamou. No ano anterior, Westwood havia levado Foxy Brown ao Carnaval. Em 1997, diz Moulder, o palco tinha atingido um auge. "O Carnaval dele era basicamente notório pelo tamanho e pela popularidade."

Neste fim de semana, o Carnaval de Notting Hill celebra seu 60º aniversário, seis décadas depois que Rhaune Laslett organizou a festa de rua de 1966 que os organizadores apontam como o início do Carnaval moderno. Moulder vê muitas coisas que mudaram desde os anos 1990, incluindo uma presença comercial maior e um ambiente mais controlado. Ele também rebate a associação entre Carnaval e crime.

"Carnaval não é sinônimo de crime", diz ele. "Crime é sinônimo de, você sabe, em qualquer lugar onde há uma grande aglomeração de pessoas, sempre vai haver algum elemento de crime."

Para ele, a história maior é o que o evento preservou. "Musicalmente, o Carnaval é vital", diz Moulder. "É um dos maiores eventos da comunidade negra na Europa, possivelmente no mundo. Não deveria ser visto apenas como algo do Reino Unido."

A cultura de sound systems continua no centro. Alguns dos mesmos sistemas de som de que Moulder se lembra do ano em que Jay se apresentou ainda fazem parte do Carnaval hoje. "Aqueles mesmos sound systems da época em que Jay-Z estava lá em 97 estarão lá este ano", diz.

O que mudou é o quão raro um dia como 25 de agosto de 1997 podia parecer. "Naquela época, o Carnaval era uma das únicas saídas para o hip hop", diz Moulder. "Ele estava prestes a se tornar mais popular em 97, mas ainda não tinha chegado lá." A segunda-feira foi "caos", diz ele, mas com carinho. "Você tinha gente no fim da adolescência, começo dos 20 anos, tendo a chance de ver artistas que nunca conseguiria ver."

Vinte e nove anos depois, Jay está voltando a Londres para dois shows no Tottenham Hotspur Stadium, em 4 e 5 de setembro. Moulder notou uma pequena coincidência. Depois do Carnaval de 1997, diz ele, Jay foi a um afterparty de £5 em um clube chamado Temple, então localizado na High Road 415 a 429, em Tottenham. O Tottenham Hotspur Stadium fica na High Road 782.

"É menos de uma milha", diz Moulder.

O clube já não existe; Moulder diz que o local virou apartamentos e lojas. Jay voltará com três décadas de discografia nas costas, tocando em um estádio um pouco mais acima na mesma rua.

"É loucura pensar que Jay-Z está no norte de Londres praticamente 29 anos depois, no mesmo período", diz Moulder. "O fato de alguém estar lá três décadas depois e ainda ter o mesmo ou um grau semelhante de antecipação… você não consegue citar artistas, especialmente no hip hop, que tenham alcançado isso."

📊 Fofoca Awards: vote nos seus favoritos
Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra