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Como Culture Wars, sensação do alt rock, dominou o México em época de Copa

Rolling Stone Brasil assistiu à banda americana, em momento de ascensão global, realizar diante de mil pessoas seu maior show como atração principal

8 jun 2026 - 08h09
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Maroon 5. ZZ Top. Lany. The Cult. Banners. Wallows. Keane. Há pouco ou nada em comum entre essas bandas para além do fato de todas elas terem contado com o Culture Wars na posição de abertura de show. E o próprio grupo americano formado em 2017 e composto por Alex Dugan (voz), David Grayson (bateria), Dillon Randolph (baixo), Caleb Contreras (guitarra) e Josh Stirm (guitarra) traz poucas similaridades com tais artistas.

Culture Wars na Cidade do México em 2026
Culture Wars na Cidade do México em 2026
Foto: Eliot Lee @imeliot / Rolling Stone Brasil

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O que se ouve em Don't Speak (2026), seu álbum de estreia, e em shows como o realizado no último sábado, 30, no Foro Puebla, casa de eventos na Cidade do México com capacidade para pouco mais de mil pessoas, é um rock alternativo, meio indie, de referências diversas, mas quase sempre mirando no que há de mais grudento e acessível. Há abertura para construções melódicas — e até algumas instrumentações — pop, vocalizações e grooves que bebem tanto do rock clássico quanto do R&B contemporâneo, refrães enormes, flertes pontuais com o emo e linhas de guitarras que parecem sair de bons discos do Strokes e Kings of Leon. Leia entrevista para conhecer mais.

Toda essa mistura, muito bem executada e produzida, caiu nas graças de diferentes públicos em relativamente pouco tempo. Cinco de seus videoclipes bateram 1 milhão de visualizações no YouTube, enquanto que, no Spotify, o quinteto acumula mais de 1,1 milhão de ouvintes mensais. O local que mais os ouve na última plataforma citada é, justamente, a Cidade do México, com Londres, Chicago e São Paulo na cola.

Fez sentido, portanto, escolher a capital mexicana para o maior show do Culture Wars como atração principal em toda a sua carreira. Embora a banda criada no Texas exista há quase uma década, sua formação e sonoridade foram reformuladas no pós-pandemia; ou seja, tal conquista ocorreu relativamente cedo nesta trajetória.

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Naquela noite de sábado, 30, o Foro Puebla estava entupido de gente. Todos distribuídos nos degraus que nivelam a pista, num conceito que deveria ser adotado no Brasil para facilitar a visualização do palco.

A introdução pré-gravada foi tocada 15 minutos após o horário marcado para o início do show. Sob iluminação climática, o quinteto entrou no palco já ovacionado. Um jogo ganho, que virou goleada quando os fãs perceberam que Dillon Randolph usava uma camiseta da seleção mexicana em plena época de Copa do Mundo.

Como abertura do set, trouxeram "Bittersweet", canção de caráter melódico, meio Kings of Leon, mas com um groove diferente do alt rock usual. "Wasting My Time", na sequência, acentuou ainda mais a batida, agora sob uma estética relativamente despojada, seja melódica ou liricamente. Os falsetes de Alex Dugan foram colocados à prova no refrão — e passaram no teste.

Dugan, aliás, mostrou-se uma figura peculiar em cima do palco. Os vocais agudos e poderosos, relativamente raros na seara do indie rock, contrastam com sua postura comedida no palco. Durante a maior parte do set de 55 minutos, vestiu uma jaqueta verde e adotou movimentações que remeteram a Liam Gallagher (Oasis) e Julian Casablancas (Strokes). Pareceu bastante concentrado em atingir as mesmas notas altas obtidas em estúdio. Vez ou outra, porém, permitia-se extravasar, seja dançando ou acompanhando o ritmo com socos.

"Heaven" evidenciou, novamente, o canto agudo de Dugan, mas junto de um instrumental à la Paramore dos primórdios. Segunda faixa mais popular do grupo no Spotify, despertou reações ainda mais acaloradas de um público que cantaria praticamente todas as músicas do setlist. Ao fim, trouxe a primeira comunicação direta de Alex com o público: um econômico "boa noite, nós somos o Culture Wars, de Austin, Texas". Não precisava de mais do que isso.

"Slowly", um típico alt-rock radiofônico do fim dos anos 1990, e "In the Morning", mais contemplativa e relativamente previsível, até ameaçaram reduzir um pouco da energia do show. A veia quase dance-pop de "Miley", porém, deu novo pulso à plateia. "Só para constar, esta música não é sobre Miley Cyrus", esclareceu Alex em tom bem-humorado, enquanto Josh Stirm se posicionava para assumir os sintetizadores. O guitarrista, último a entrar para a banda, é talvez o maior "operário" da formação, não apenas por ir às teclas neste momento: em vários outras passagens do set, deixa de extrair mais sons de sua guitarra em prol de um instrumental enxuto e amarrado. Saber explorar o silêncio também é música.

Caleb Contreras, que antes de "It Hurts" conversou um pouco em espanhol com os fãs, tem outra abordagem. Seja pela altura, as longas madeixas ou o som estalado obtido de seu instrumento, o guitarrista/produtor é quem mais chama atenção no palco. Sua Stratocaster fica bastante em evidência na faixa mencionada, identificada pela plateia a partir do dedilhado. Tal canção gera uma emenda natural com "(Tokyo)", baladinha de melodia acalentadora e traço ligeiramente classic rock. É um dos destaques do repertório do grupo.

https://www.youtube.com/watch?v=IUSXNoA3v_U

Outro momento ameaçou a energia do set: a nunca lançada "Hell or High Water", que ensaia certo peso no verso, mas fica meio dançante no refrão; e a relativamente experimental "cortisol, it's not always what's in your head", talvez a mais refém dos clichês do indie rock. Mas isso pareceu até calculado, já que estas antecederam a trinca final com o grudento alt-rock "Don't Speak" — aplaudida em volume quase ensurdecedor —, a explosiva e já popular "Typical Ways" e, já no bis, "Lies", encerramento não apenas do repertório ao vivo como, também, do novo álbum.

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Não só o final do set transmitiu a imagem de "calculado". O Culture Wars pareceu meticuloso em seu disco de estreia e também no palco do Foro Puebla. Tamanho capricho pode ter feito o grupo perder espaço em cenas musicais mais alternativas, mas os integrantes têm ambições maiores. Se continuarem a fazer o que foi visto naquela noite de sábado na Cidade do México, não demora muito até conseguirem dominar o globo.

Culture Wars na Cidade do México — setlist:

1. Bittersweet

2. ⁠Wasting My Time

3. ⁠Heaven

4. ⁠Slowly

5. ⁠In the Morning

6. ⁠Miley

7. ⁠It Hurts

8. ⁠(Tokyo)

9. ⁠Hell or High Water (nunca lançada oficialmente)

10. ⁠cortisol, it's not always what's in your head

11. ⁠Don't Speak

12. ⁠Typical Ways

13. ⁠Lies

*A reportagem viajou para a Cidade do México a convite da agência de marketing musical responsável pela banda.

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