A surpreendente opinião de Digão sobre documentário do Raimundos
Entre elogios técnicos e ressalvas, guitarrista e vocalista da banda revela o que o incomodou na montagem final do projeto
O documentário Andar na Pedra, que explora a trajetória do Raimundos, continua gerando repercussão entre os protagonistas da história — entre eles o guitarrista e vocalista Digão.
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Em entrevista recente ao canal Ticaracaticast, o músico abriu o jogo e revelou uma visão crítica e, para muitos, surpreendente sobre a produção, dirigida por Daniel Ferro.
Embora tenha elogiado o aspecto visual e a edição da obra, Digão também teceu críticas ao conteúdo e à forma como os fatos foram narrados.
Para ele, o documentário peca em precisão factual. O músico apontou, por exemplo, que eventos marcantes foram situados em locais errados. Inicialmente, ele falou:
"Tecnicamente, eu achei ele (documentário) muito bom. Tecnicamente, tá? Mas tem coisa das histórias ali, tipo 'teve um show não sei aonde...' Não é. A confusão que rolou foi em outro lugar. Falaram que foi em Petrópolis. Não foi, foi em Araras. Algumas coisas ficaram meio desencontradas."
Em seguida, Digão revelou que sentiu uma carga negativa vinda dos depoimentos de outros envolvidos e disse que sentiu falta de alguns personagens importantes:
"Eu vim para esse documentário em outra frequência. Você sente que a galera estava meio ressentida. E eu, putz... Falaram muito de mim. Quiseram me culpar de tudo. Culpar os outros é divino. Mas o que aconteceu... Faltaram pessoas importantíssimas para falar. Primeiro: a minha esposa. Ela que me fez voltar a falar com o Rodolfo. Apesar de não ter mais rancor, de ter dado a volta por cima, mas quem me levou ao perdão foi minha esposa. Ela foi muito importante. E não botaram ela para falar. Outra pessoa foi o (José) Muniz. Foi quem fez o Raimundos tocar no Monsters of Rock, com o Ramones, que fez a gente ir para uma grande gravadora, que conseguiu um produtor gringo. Também o Leco, que é um grande amigo meu, que carregou caixa comigo no Raimundos lá em Brasília"
Digão diz que Fred Castro concorda com ele
De acordo com Digão, sua opinião crítica ao documentário ganhou coro até em conversa o ex-integrante Fred Castro. Ele revelou ter ligado para o baterista para trocar impressões sobre o filme. Segundo ele, Fred resumiu o sentimento sobre a obra:
"É um documentário bom, mas o Raimundos é só um pano de fundo. O documentário é muito em cima do Rodolfo."
Digão acrescentou:
"A gente está ali meio que figurando, de certa forma. Não botaram os caras atuais do Raimundos, que estão há 20 anos com a gente tocando. Bota o baterista do Rodox (Fernando Schaefer), mas não bota os caras que estão no Raimundos hoje?"
Documentário do Raimundos
Andar na Pedra - A História do Raimundos estreou no Globoplay em março. Composta por cinco episódios, a produção passa a limpo a trajetória do grupo brasiliense que marcou época no rock brasileiro na década de 1990.
A narrativa percorre desde a formação do grupo em Brasília, no final da década de 1980, até a explosão nacional. O documentário relembra o impacto de álbuns icônicos como a estreia homônimo de 1994, Lavô Tá Novo (1995), Lapadas do Povo (1997) e Só No Forévis (1999), que levaram a banda ao topo da popularidade.
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