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Morre aos 88 anos David Hockney, mestre das cores e artista revolucionário dos séculos 20 e 21

O artista britânico David Hockney, uma das figuras mais influentes da arte contemporânea e um dos criadores mais celebrados dos séculos 20 e 21, morreu na quinta-feira (11), em sua residência em Londres, aos 88 anos. A informação foi confirmada por sua agente, Erica Bolton, que informou que ele faleceu pacificamente, poucas semanas antes de completar 89 anos.

12 jun 2026 - 11h35
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Conhecido por suas obras vibrantes, pela capacidade de reinventar constantemente sua linguagem artística e pela adoção precoce de novas tecnologias, Hockney construiu uma carreira que atravessou mais de sete décadas e marcou profundamente a história da arte moderna.

"David Hockney foi uma das figuras mais importantes da arte contemporânea dos séculos 20 e 21", afirmou Bolton em comunicado. "Ele combinou um talento excepcional para o desenho, uma observação aguçada do mundo, profundo conhecimento da história da arte e uma rara abertura para as tecnologias modernas."

Nascido em 9 de julho de 1937, em Bradford, no norte da Inglaterra, Hockney estudou no prestigiado Royal College of Art, em Londres. Ainda jovem, destacou-se como uma das principais vozes da arte pop britânica dos anos 1960, movimento que ajudou a redefinir os limites entre a cultura popular e as artes visuais.

Em 1964, mudou-se para Los Angeles, cidade cuja luminosidade e estilo de vida influenciariam algumas de suas obras mais emblemáticas. Três anos depois, produziu "A Bigger Splash" (1967), pintura que se tornaria um dos símbolos de sua carreira. A imagem da piscina californiana, marcada por cores intensas e uma explosão de água congelada no tempo, tornou-se uma das representações mais conhecidas da arte do século 20.

Autorretrato de David Hockney na Fundação Louis Vuitton, em Paris.
Autorretrato de David Hockney na Fundação Louis Vuitton, em Paris.
Foto: RFI

Outra obra célebre, "Portrait of an Artist (Pool with Two Figures)", de 1972, alcançou US$ 90,3 milhões em um leilão realizado em Nova York em 2018, estabelecendo à época o recorde para uma obra vendida de um artista ainda vivo.

Busca incansável por novas linguagens

Apesar do sucesso associado às cenas ensolaradas da Califórnia, Hockney nunca se limitou a um único estilo. Ao longo da vida, explorou retratos, paisagens, fotografia, colagens e cenografia para ópera. No início dos anos 2000, voltou-se para as paisagens de Yorkshire, sua região natal, retratando o interior inglês com a mesma intensidade cromática que havia dedicado à costa oeste americana.

Nos últimos anos, tornou-se também referência na arte digital. Enquanto muitos artistas viam tablets e smartphones apenas como ferramentas tecnológicas, Hockney os transformou em suportes legítimos para a criação artística. Já septuagenário, passou a produzir desenhos e pinturas em iPhone e iPad, ajudando a consolidar a aceitação da arte digital nos grandes museus e galerias.

Durante a pandemia de Covid-19, viveu na Normandia, na França, onde criou uma série de obras inspiradas pelas mudanças das estações. Foi desse período a frase "Remember you cannot cancel spring" ("Lembre-se de que não se pode cancelar a primavera"), transformada em uma de suas obras mais conhecidas e em símbolo de esperança durante o isolamento.

Legado de Hockney

Em 2025, a Fundação Louis Vuitton, em Paris, dedicou ao artista uma grande retrospectiva intitulada "David Hockney 25", reunindo mais de 400 trabalhos produzidos nos últimos 25 anos. Foi a primeira vez que um artista vivo recebeu uma exposição dessa dimensão no espaço cultural parisiense.

Visitantes na mostra "David Hockney 25", na Fundação Louis Vuitton, em Paris. 5/5/25
Visitantes na mostra "David Hockney 25", na Fundação Louis Vuitton, em Paris. 5/5/25
Foto: RFI

Rebelde assumido, Hockney também ficou conhecido por desafiar convenções. Homossexual declarado em uma época em que isso ainda era incomum no meio artístico, recusou homenagens oficiais e chegou a rejeitar um convite para pintar um retrato da rainha Elizabeth II. Fumante inveterado, manteve o hábito até os últimos anos de vida e frequentemente criticava políticas antitabagistas.

Mesmo aos 88 anos, continuava produzindo intensamente. Após a exposição em Paris, realizou novas mostras em Londres e seguia apresentando trabalhos inspirados nas paisagens da Normandia.

David Hockney deixa o companheiro de longa data, Jean-Pierre Gonçalves de Lima, além de familiares e colaboradores próximos. 

RFI e agências

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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