MC Cabelinho e Vinícius Neri falam sobre preparação, desafios e mais sobre 'Fúria'
Em entrevista para Rolling Stone Brasil, os atores comentaram sobre os bastidores, os meses de treinamentos para viver lutadores de MMA, entre outros temas
Fúria, nova produção brasileira que estreia nesta quarta-feira (29) no catálogo da Netflix, aposta na mistura de ação, suspense e drama para contar a história de Marcelo, um homem encontrado à beira da morte que desperta sem qualquer lembrança de quem é. Interpretado por Vinícius Neri (Promessa de um Amor Selvagem), o protagonista ganha uma nova identidade ao ser acolhido por um treinador de artes marciais. Ao longo dessa jornada, Marcelo também enfrenta uma rivalidade intensa com Júnior Malamute, personagem vivido por MC Cabelinho (Vai na Fé), adversário que desafia seus limites dentro e fora do octógono.
Em entrevista exclusiva para a Rolling Stone Brasil, Vinícius Neri e MC Cabelinho falaram sobre a preparação física para interpretar lutadores de MMA, os desafios das gravações, o impacto que Marcelo e Malamute tiveram em suas vidas e as expectativas para a estreia da série. Confira a seguir a conversa completa:
O contato com o universo das lutas
Apesar de interpretar um lutador profissional, Vinícius Neri revelou que praticamente não tinha experiência com artes marciais antes de Fúria. "Eu tinha feito um treino de Muay Thai aos 15 anos, um único treino isolado. Nunca mais fiz. Mas sempre tive uma relação muito forte com a dança em todas as formações de teatro que fiz. Sempre gostei muito de tudo que é para o corpo. Acho que isso me ajudou a integrar os movimentos."
Já MC Cabelinho chegou ao projeto em uma situação diferente e que voltou a intensificar os treinos quando soube que faria a produção. "Desde novo eu faço boxe. Quando surgiu o projeto, voltei a treinar boxe e também fiz um pouco de jiu-jítsu. Então, para mim, não foi algo tão novo. Só a parte dos chutes, do Muay Thai, que foi meu primeiro contato."
Treinos diários, dublês e o desgaste físico das gravações
A preparação para as cenas de luta envolveu meses de treinamento e o acompanhamento de profissionais especializados. Segundo MC Cabelinho, além dos dublês, a equipe contava com professores de artes marciais que participaram diretamente da construção das coreografias.
"Tivemos um cara muito bom que guiou a gente nas coreografias, o Peter [Lee Thomas], que veio de Los Angeles. Os dublês também eram professores de artes marciais. Eles atuavam junto com a gente e treinavam a gente também."
Vinícius destaca que a rotina de preparação se tornou praticamente parte da vida dos atores durante as gravações. "Foi muito tempo de treino, todo santo dia." Mesmo com a presença dos dublês, ele admite que queria executar o máximo possível das cenas por conta própria. "Eu ficava um pouquinho fominha, queria fazer tudo."
O ator, no entanto, lembra que houve momentos em que o desgaste físico tornou impossível continuar sem ajuda. "Condensamos três semanas de luta em um período muito intenso. Teve um dia em que meus músculos estavam completamente fadigados, eu não estava conseguindo lutar. Era perigoso continuar. Foi quando os dublês salvaram muita coisa, principalmente na nossa última luta."
O que Marcelo e Malamute deixaram na vida dos atores
Além da preparação física, os personagens também provocaram mudanças pessoais nos protagonistas. Ao refletir sobre Júnior Malamute, MC Cabelinho afirma que enxerga semelhanças entre os dois, principalmente na ambição de crescer profissionalmente. "O Malamute é um cara marrento, abusado. Acho que tenho um pouco disso em mim. Mas ele também é um cara que quer crescer. Eu também quero crescer dentro da música e da atuação. Acho que isso foi um estímulo ainda maior."
Para Vinícius, Marcelo trouxe reflexões profundas. O ator afirma que a principal lição da série pode ser resumida na frase que atravessa a história: "equilibrar cabeça e coração".
"Passei a vida inteira nesse processo de autoconhecimento e espiritualidade. Acho que o Marcelo vive muito isso durante a trajetória dele." Segundo ele, a própria ideia de "fúria" ganha diferentes significados ao longo da narrativa. "Em vários momentos, a fúria ajuda ele a ganhar a luta. Em outros, é justamente a fúria que acaba com tudo."
Além da dimensão emocional, Vinícius conta que a disciplina exigida pela produção transformou sua rotina. "Foi um chamado para entender que, às vezes, você vai estar a fim de fazer alguma coisa e, às vezes, não vai. Mas precisa fazer do mesmo jeito."
As expectativas para a recepção da série
Embora ambos estejam diante de um dos maiores projetos de suas carreiras, os dois preferem lidar com a estreia de formas diferentes. MC Cabelinho diz que evita criar expectativas sobre a recepção do público, mas acredita que seus fãs vão gostar de acompanhá-lo em mais um desafio na atuação.
"Eu não gosto muito de criar expectativa. Eu gostei do que fiz. É igual música: se a gente soubesse o que ia virar hit, só lançava isso. A gente não sabe, então tem que arriscar. Mas acredito que meus fãs vão ficar bem felizes."
Para Vinícius, Fúria representa um momento de realização pessoal e profissional. O ator lembra que, antes do teste, vivia um período de frustração, tentando encontrar espaço em produções maiores. "Eu estava querendo ir para o mainstream e estava frustrado com o que estava acontecendo."
Segundo ele, assistir a um discurso da atriz Alice Carvalho (O Agente Secreto) mudou completamente sua forma de enxergar a carreira. "Percebi que talvez eu não precisasse desistir da carreira, mas do controle de achar que eu sabia exatamente o que tinha que acontecer."
Pouco tempo depois veio o teste para Fúria. "Quando li as primeiras linhas do personagem, comecei a chorar." Hoje, ele afirma enxergar o projeto como uma combinação entre realização artística e identificação pessoal. "É uma série com um peso comercial incrível, mas também um projeto em que meu coração está completamente ali."
A música como ferramenta de construção dos personagens
A trilha sonora também teve papel importante na preparação dos dois atores. MC Cabelinho destaca a presença de Ariel Donato, produtor musical com quem trabalha há anos e responsável pela trilha da série. "Fiquei muito feliz de ele estar fazendo parte do projeto. Quando a série estava sendo montada, ele mostrava alguns trechos e eu já achava tudo muito maneiro."
Vinícius, por sua vez, montou uma playlist específica para entrar no estado emocional de Marcelo. O ator conta que uma música do Radiohead o acompanhou desde os testes, além de clássicos da música brasileira. "Tem 'Carcará', claro. Tinha momentos em que bastava ouvir a Maria Bethânia cantando e eu já virava o personagem. Também ouvia ' Um Índio', do Caetano, na versão da Maria Bethânia. Eram músicas que me colocavam no trilho."
O encontro com Anderson Silva
Se a preparação física já tornou a experiência inesquecível, dividir cena com Anderson Silva foi outro momento marcante para Vinícius Neri. O ator não esconde a admiração pelo ex-campeão do UFC e lembra da sensação de perceber o elenco reunido durante as gravações.
"Eu olhei aquilo e pensei: 'que metaverso é esse?'", brincou. Quando Anderson Silva chegou ao set, o impacto foi ainda maior. "Foi muito doido. Você está contracenando com um cara icônico, que até quem não acompanha luta admira. É uma honra muito grande. Esse ofício proporciona encontros que a gente nunca imagina viver."
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.