“Jorge Amado inovou a literatura brasileira”

Qual o papel da política na vida e na literatura de Jorge Amado?
Jorge Amado é um escritor que viveu intensamente, sob as mais diversas circunstâncias. Foi um protagonista de seu tempo. Assumiu posições políticas, atuou no campo partidário, foi ativista. Como deputado, atuou na Constituinte de 45, lutou em várias frentes por um ideal em que acreditava e firmou sua presença internacional participando de eventos importantes em várias partes do mundo.

Quais eram as principais influências de Jorge Amado?
No começo da sua carreira, os autores de sua predileção eram Victor Hugo, Balzac, Maupassant, Zola, Flaubert, Daudet, Dickens, Walter Scott, Mark Twain... Especialmente Dickens teve uma grande influência sobre a literatura de Jorge Amado, era um dos seus autores preferidos. Mas Jorge Amado teve diversas amizades, em todos os períodos da sua vida. Entre escritores, poderíamos citar Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos, Édison Carneiro (antropólogo), Pablo Neruda, Érico Verissimo, Nicolás Guillén, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Ilya Ehremburg, Anna Seghers, Paul Eluard, Louis Aragon.

Qual a sua opinião sobre a novela Gabriela, no ar atualmente?
Representa uma oportunidade de alcançar um público mais amplo e, deste modo, ampliar os interesses do público de se aproximar mais intensamente do autor através da leitura direta de seus livros.

Como foi a sua convivência com Jorge Amado e como é estar à frente da fundação há tantos anos? Quais são os planos para a fundação daqui para a frente?
Conheci Zélia e Jorge em 1964, logo após terem vindo morar definitivamente na Bahia, na casa do Rio Vermelho. Foi um grande privilégio ter convivido com o casal, uma amizade que só me trouxe coisas boas e que acredito ter correspondido com toda lealdade. A criação da Fundação Casa de Jorge Amado, em 1986, o fato de ter sido indicada, pelo próprio Jorge, como diretora executiva da instituição e ter merecido seu apoio incondicional, só fez aumentar os laços de amizade e confiança. Foi essa confiança que me permitiu enfrentar um trabalho para o qual a principio não me julgava preparada e ter conseguido vencer os desafios de manter uma instituição cultural com muita ambição, mas poucos recursos. Gostaria de dizer também que, embora sempre dando todo apoio, Jorge nunca interferiu diretamente nos trabalhos da Fundação, embora nos falássemos quase todos os dias, mesmo quando eles estavam em Paris.

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