Lucas Nascimento morre antes de ser deportado na Turquia; família exige respostas
Preso após briga por religião, turista deveria retornar ao Brasil, mas teve morte confirmada em meio a versões conflitantes do consulado
A família do brasileiro Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, cobra explicações sobre sua morte na Turquia enquanto aguardava deportação. Detido em Esmirna após denunciar uma agressão por intolerância religiosa, ele deveria ter retornado a São Paulo, mas não embarcou. Parentes apontam contradições nas versões oficiais sobre o local do óbito, inicialmente informado em um hotel e depois em um centro de imigração. O Itamaraty e uma irmã da vítima acompanham o caso em solo turco.
Contradições, falta de dados claros e um desfecho trágico cercam o falecimento do brasileiro Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, em solo turco. O jovem, que cumpria trâmites para ser deportado ao Brasil após uma abordagem policial na cidade de Esmirna, teve o óbito confirmado aos familiares de forma confusa. Além disso, as versões conflitantes apresentadas sobre onde o corpo foi localizado acenderam um alerta na família, que agora cobra explicações oficiais do governo estrangeiro e do Itamaraty.
Diante disso, a busca por esclarecimentos ganhou caráter de urgência quando a versão sobre o local do óbito mudou radicalmente. Inicialmente, um contato telefônico atribuído ao Consulado do Brasil em Istambul comunicou que o rapaz havia sido achado sem vida e destituído de seus pertences em um quarto de hotel. No entanto, em uma ligação posterior, a representação diplomática alterou o relato, sinalizando que a morte ocorreu, na verdade, dentro do próprio centro de imigração.
Conflito religioso e detenção em Esmirna
Em meio a essa sequência de desencontros, a origem dos problemas enfrentados por Lucas na Europa remonta a um episódio de intolerância. Morador de Porto, em Portugal, há cerca de sete anos, o rapaz viajou à Turquia para fazer um curso focado em falcoaria. Contudo, dias antes de ser retido, ele acabou agredido fisicamente em um estabelecimento comercial após uma discussão ligada à sua fé. O brasileiro havia aderido ao judaísmo messiânico recentemente e exibia uma tatuagem alusiva à sua conversão.
Ao recorrer às autoridades policiais locais para registrar a violência sofrida, Lucas acabou sendo detido. Consequentemente, ele foi transferido para uma unidade de deportação, de onde sairia com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.
No entanto, o regresso nunca aconteceu. A mãe da vítima chegou a comparecer ao terminal paulista logo nas primeiras horas da manhã esperada para o desembarque, descobrindo no local que o filho nem sequer havia embarcado.
"Aí foram passando os dias, e chegou o dia dele chegar e nada. Ela [mãe] foi para o aeroporto, ficou desde as cinco da manhã, e aí, a gente entra em contato com o consulado, e dizem que o corpo do brasileiro foi encontrado sem documentos e com drogas ilícitas ainda no hotel", ressaltou Marcos Medeiros, irmão de Lucas, ao detalhar o desespero familiar diante da falta de retornos concretos.
Contradições sobre a localização e ação da família
Sendo assim, o ponto central do questionamento dos parentes reside no fato de que o último sinal enviado pelo rapaz o colocava dentro da instalação governamental de imigração. A contradição entre estar sob tutela do estado turco ou em um hotel levanta sérias dúvidas sobre a segurança do local e a veracidade das informações fornecidas inicialmente.
"A família questiona o fato de Lucas ter sido encontrado sem vida e sem documentos em um quarto de hotel", ponderou o irmão ao constatar a incoerência entre o rastreamento do celular dele e a primeira versão oficial enviada à imprensa e aos parentes.
Portanto, sem respostas definitivas prestadas à distância, uma irmã de Lucas embarcou para a Turquia com o objetivo de acompanhar os desdobramentos de perto. As autoridades turcas informaram que detalhes aprofundados só serão entregues presencialmente aos familiares diretos. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) informou que acompanha o caso atentamente e presta todo o auxílio consular cabível aos parentes neste momento de comoção.
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