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Os 20 melhores filmes do século XXI, segundo Paul Thomas Anderson

O diretor de 'Boogie Nights' revela uma seleção que vai de documentário sobre porcos a comédia com Seth MacFarlane, passando por três obras do mesmo cineasta tailandês

26 out 2026 - 12h42
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Resumo
O aclamado diretor Paul Thomas Anderson revelou sua lista com os 20 melhores filmes do século XXI, evidenciando um ecletismo sem preconceitos hierárquicos. Sua seleção transita de sucessos populares como Ted e Quase Famosos a obras contemplativas, com destaque para o cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul, citado três vezes, e o documentário minimalista Gunda. Essa rica diversidade reflete a essência do próprio cinema de Anderson, que une a paixão pela cultura pop à reverência artística.

Paul Thomas Anderson é um dos raros diretores de Hollywood cujo amor pelo cinema não cabe em lista de Letterboxd. Desde os anos 1990, o homem por trás de Boogie Nights (1997) e Sangue Negro (2007) acumulou uma filmografia obsessiva e um repertório ainda mais vasto de referências, tendo atuado como programador convidado da Turner Classic Movies para contextualizar Uma Batalha Após a Outra (2025), seu trabalho mais recente, com clássicos como A Batalha de Argel (1966) e Rastros de Ódio (1956). Quando Anderson compartilhou sua lista dos vinte melhores filmes do século XXI (via FarOut Magazine), ficou claro que o homem assiste a tudo, do blockbuster mainstream ao cinema mais silencioso do planeta, sem qualquer hierarquia de prestígio entre eles.

Paul Thomas Anderson recebe o prêmio de Melhor Direção por "Uma Batalha Após a Outra" no palco da 98ª cerimônia do Oscar, em março de 2026
Paul Thomas Anderson recebe o prêmio de Melhor Direção por "Uma Batalha Após a Outra" no palco da 98ª cerimônia do Oscar, em março de 2026
Foto: Kevin Winter/Getty Images / Rolling Stone Brasil

O que salta imediatamente da lista é a recorrência do cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul, que aparece não uma, não duas, mas três vezes. Mal dos Trópicos (2004), Síndromes e um Século (2006) e Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (2010), Palma de Ouro em Cannes, formam um bloco que revela onde Anderson busca o cinema que de fato o alimenta. Weerasethakul opera em um registro único no audiovisual contemporâneo: seus filmes vivem na fronteira entre o real e o sobrenatural, entre o documentário e o sonho, sem jamais resolver a tensão entre esses mundos. Que um diretor como Anderson, conhecido pela câmera em movimento perpétuo e pela precisão narrativa, se curve tanto a uma obra assim diz muito sobre a amplitude do seu apetite cinematográfico.

Mas a lista recusa qualquer pretensão de purismo. Quase Famosos (2000), de Cameron Crowe, e Encontros e Desencontros (2003), de Sofia Coppola, convivem na mesma seleção com Ted (2012), a comédia de animação adulta de Seth MacFarlane, e com Entrando Numa Fria (2000), o blockbuster de Jay Roach com Ben Stiller e Robert De Niro. Papai Noel às Avessas (2003) e Cabana do Inferno (2002), o terror B de Eli Roth, completam esse lado mais despretensioso da curadoria. Longe de ser contradição, essa mistura revela um cineasta que nunca separou o prazer popular do prazer artístico, e que enxerga tanto a gargalhada fácil quanto o plano lento de cinco minutos como expressões igualmente legítimas do que o cinema pode fazer.

Um dos títulos mais comentados da lista é Gunda (2020), documentário do cineasta russo-norueguês Viktor Kossakovsky filmado em preto e branco, sem narração e sem trilha sonora, que acompanha o cotidiano de uma porca e seus filhotes em uma fazenda. Anderson o descreveu com uma generosidade quase litúrgica: "Este é um filme para se banhar dentro. Ele está despido até seus elementos essenciais, sem qualquer interferência." E foi além: "É mais como uma poção do que um filme". Gunda é o oposto estrutural de Grindhouse (2007), de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, que também está na lista. Que os dois coexistam sem desconforto é o sinal mais honesto do tamanho desse apetite do cineasta.

Em Uma Batalha Após a Outra, Anderson deixou suas referências transbordarem para a tela de forma quase declarada: o personagem Bob aparece assistindo a A Batalha de Argel enquanto fica chapado, e o filme acumula citações a Um Dia de Cão, Operação França e até Star Wars, construindo o retrato de um cineasta como arquivista apaixonado, alguém que absorve décadas de cinema e devolve tudo como obra própria.

Confira a lista dos 20 melhores do século XXI, segundo Paul Thomas Anderson:

  • Quase Famosos (2000)
  • A Última Noite (2006)
  • Um Lugar Silencioso (2018)
  • Papai Noel às Avessas (2003)
  • O Mundo de Jack e Rose (2005)
  • Indomável Sonhadora (2012)
  • Cabana do Inferno (2002)
  • Dançando no Escuro (2000)
  • Grindhouse (2007)
  • Gunda (2020)
  • Encontros e Desencontros (2003)
  • Entrando Numa Fria (2000)
  • Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016)
  • Sobre Meninos e Lobos (2003)
  • Eu Ainda Estou Aqui (2010)
  • Síndromes e um Século (2006)
  • Ted (2012)
  • Mal dos Trópicos (2004)
  • Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (2010)
  • Conte Comigo (2000)
Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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