Leonardo DiCaprio foi aconselhado a desistir de 'Titanic' por filme sobre a indústria pornô
A tentativa foi feita por John C. Reilly, colega de DiCaprio em Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador (1993)
Hoje parece impossível imaginar qualquer ator além de Leonardo DiCaprio (Uma Batalha Após a Outra) no papel de Jack Dawson em Titanic. Mas, antes de embarcar no que se tornaria um dos maiores sucessos da história do cinema, o astro esteve muito perto de seguir um caminho completamente diferente.
A revelação foi feita por John C. Reilly, colega de DiCaprio em Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador (1993). Durante participação no podcast Where Everybody Knows Your Name, o ator contou que tentou pessoalmente convencer o amigo a recusar Titanic para estrelar Boogie Nights - Prazer Sem Limites (1997), filme de Paul Thomas Anderson (Sangue Negro) que mergulha nos bastidores da indústria pornográfica norte-americana dos anos 1970.
Segundo Reilly, Anderson tinha DiCaprio como primeira escolha para viver Eddie Adams, jovem que se transforma na estrela pornô Dirk Diggler. O problema era que, na mesma época, o ator também havia recebido a proposta para protagonizar o épico romântico de James Cameron (Avatar).
"Paul realmente queria o Leo para o filme", relembrou Reilly. "Eu conhecia o Leo desde os 17 anos e disse ao Paul: 'Deixa comigo que eu convenço esse cara a fazer seu filme'."
Na época, porém, Boogie Nights enfrentava resistência em Hollywood. Reilly lembra que muitos atores, empresários e agentes rejeitavam o projeto por causa de sua temática ligada à pornografia. "Hoje é difícil imaginar, mas ser associado a um filme sobre pornografia era algo considerado muito problemático. As pessoas ouviam a palavra 'pornô' e imediatamente diziam não", explicou.
Determinado a ajudar Anderson, Reilly marcou uma conversa com DiCaprio em Los Angeles. Foi então que fez um argumento que, olhando em retrospecto, parece quase inacreditável. "Eu disse: 'Leo, escuta. Titanic é um filme sobre um navio que afunda. Todo mundo sabe que o navio afunda! Ninguém vai ligar para quem está dentro dele'", contou o ator, entre risos.
Reilly insistiu que o verdadeiro futuro estava em trabalhar com Paul Thomas Anderson, cineasta que mais tarde se tornaria responsável por filmes como Magnólia, Sangue Negro, O Mestre e Licorice Pizza. "Eu disse a ele que Paul seria um dos grandes diretores da geração dele e que não deveria perder essa oportunidade", relembrou.
Apesar dos esforços, DiCaprio permaneceu dividido. Seus agentes acreditavam que Titanic tinha potencial para se tornar um enorme sucesso comercial e recomendaram que ele aceitasse a proposta de Cameron. A história mostrou que eles estavam certos. Lançado em 1997, Titanic arrecadou mais de US$ 2 bilhões ao redor do mundo, venceu 11 Oscars e transformou DiCaprio em um dos rostos mais famosos do planeta.
Ainda assim, o ator admitiu anos depois que abrir mão de Boogie Nights continua sendo um de seus maiores arrependimentos profissionais. Em entrevista à revista Esquire em 2025, ele citou a recusa ao filme de Anderson como a decisão de carreira que mais lamenta.
Para Reilly, parte desse sentimento pode estar relacionada ao impacto gigantesco que o sucesso de Titanic teve sobre a vida do amigo. "Aquele nível de fama foi uma bênção e uma maldição ao mesmo tempo. Acho que ele acabou se perguntando como teria sido seguir outro caminho", avaliou.
Felizmente, o desejo de trabalhar com Paul Thomas Anderson acabou se concretizando décadas depois. DiCaprio estrelou o recente Uma Batalha Após a Outra, dirigido pelo cineasta, encerrando uma história que começou com uma oportunidade perdida nos anos 1990.
Fonte: EW
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