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Não é só uma bomboniere: Cine Tutu e Cortina transformam cinema em experiência gastronômica; entenda

Dos mesmos criadores do Cinesala, novo cinema na Vila Madalena combina filmes, gastronomia e bar, enquanto o Cortina também aposta na mistura em um verdadeiro 'banquete visual'

2 out 2026 - 11h11
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Resumo
Criado pelos fundadores do Cinesala, o Cine Tutu integra a vida cultural da Vila Madalena ao lado do Cortina, antigo Barouche. Definido como um "bar de ver", o local une videoarte, cinema e gastronomia multissensorial, equiparando artistas visuais a DJs. Com pratos criativos e coquetéis autorais inspirados no universo audiovisual, o espaço vai além da tradicional bomboniere, transformando a ida ao cinema em uma experiência completa que conecta estímulos visuais ao prazer de comer e beber.

Dos mesmos criadores do Cinesala, em Pinheiros, o Cine Tutu chega para compor a vida cultural paulistana da Vila Madalena. No térreo de um prédio comercial, o cinema de rua funciona junto ao café-bar Barouche, também presente no outro endereço, mas agora com ainda mais opções para comer e beber.

Paulo Velasco, um dos sócios, conta que a história do Barouche começou em 2016, no Largo do Arouche. "Depois, uma segunda unidade foi instalada no saguão do Cinesala. Em 2019, fechamos as portas do primeiro endereço por questões logísticas e abrimos na Vila Madalena, sempre com vontade de ter um ponto de encontro cultural e com boa comida, afinal, são áreas em que um mesmo público costuma transitar."

Recentemente o espaço reinaugurou, com nova identidade e nome, agora, apenas Cortina. A nova proposta foi ampliada para a videoarte e o espaço passou a se apresentar como um "bar de ver", conceito que coloca o estímulo visual no centro da experiência.

"É uma contemplação ativa e estimulante, que saúda os olhos com infinitos estímulos, mas deixa o campo mais aberto para todo tipo de debate acontecer no nosso bar", explica Barreto. Segundo ele, a casa se entende como um espaço dedicado à expressão audiovisual. "Somos uma casa da vídeo-expressão. É fundamental entender que isso não se trata de um elemento decorativo, é artístico, uma tela em branco para o videoartista mostrar o máximo do seu estilo criativo."

A valorização do trabalho visual também está presente na estrutura do espaço. "Para nós, foi uma questão de honra ter o videoartista em equivalência ao DJ, que sempre foi secundário por aí, enquanto o artista visual quase sempre fica escondido em um cantinho dos decks das baladas. Até hoje é assim, menos aqui", declara o sócio.

O cinema segue sendo contemplado, "afinal, o cinema é a 'mãe' de todas as vídeo-expressões artísticas", diz Barreto. Por isso, todas as quartas-feiras, o Cortina homenageia estilos de direção, atuação e períodos da história do cinema em um formato de colagem de diferentes cinematografias, acompanhado por uma trilha sonora relacionada, direta ou indiretamente, ao que aparece na tela.

Uma experiência para todos os sentidos

Se a imagem é protagonista, a gastronomia não poderia ficar em segundo plano. Para criar o cardápio e a carta de drinques, a equipe do Cortina partiu da ideia de estimular também os outros sentidos. "Quando a gente criou o conceito, entendemos na hora que os outros sentidos do corpo não podiam ser esquecidos", diz.

A proposta é que comida e bebida funcionem como extensão do que acontece nas telas. Vale apostar, por exemplo, nas arepas de bisteca com especiarias e queijo gratinado (R$ 35, duas unidades) e no ninho de corações de frango com farofa de mate, bernaise e batata-palha (R$ 65). De sobremesa, o pé-de-moleque de pipoca (R$ 29) traz à tona o gostinho muito bem-vindo de cinema.

Nos drinques, a relação clara entre gastronomia e audiovisual: cada autoral leva o nome de uma ferramenta ou recurso da câmera, como o Zoom - feito com macerado de croissant com jerez, vermute dry e bitter de cacau com mel - e o Buffer (memória temporária na câmera que guarda as fotos tiradas em sequência rápida antes de passá-las para o cartão de memória) - de gim, cordial de jabuticaba, vermute dry, rum e luxardo maraschino. Todos os coquetéis saem a R$ 53.

A lógica, para Barreto, é simples: "comida é infinitamente estimulante, mexe com todos os sentidos, né? E fazer um cardápio que não é regido por isso seria um sacrilégio e ficaria deslocado neste nosso conceito de ser um bar de ver." No fim, a proposta dos dois espaços parte de uma mesma ideia: transformar a ida ao cinema em uma experiência que ultrapassa a tela. "A vida é muito curta para a gente comer só para se alimentar. Comida é vida, é estímulo, é tesão, é alegria. Então, o que buscamos fazer é um verdadeiro banquete visual", conclui.

Estadão
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